Como a calagem pode aumentar o sequestro de carbono?

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A calagem com certeza consiste em uma das práticas mais importantes utilizadas na agricultura, principalmente em países como o Brasil, em que mais de 70% das terras agrícolas são ácidas. A prática tem sido utilizada principalmente para reduzir a acidez do solo juntamente com o teor de alumínio tóxico além elevar pH e a saturação de bases. Tais aumentos nos atributos da fertilidade do solo têm causado consideráveis aumentos na produtividade das culturas, e por este motivo, as mudanças químicas do solo proporcionadas pela calagem têm sido o principal objeto de vários estudos.

Calagem

A calagem por outro lado, possui reconhecido efeito nos estoques de carbono do solo e conteúdo de matéria orgânica. Sua utilização, portanto, pode auxiliar na recuperação das áreas degradadas, proporcionar mitigação de CO2 da atmosfera, além de proporcionar maior sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Poucos estudos, porém, têm focado nestes atributos da prática. Dessa forma, as informações sobre os efeitos da calagem sobre a matéria orgânica ainda são pouco conhecidos. Mas como afinal a calagem pode proporcionar esses benefícios ao solo? A seguir estão as três principais influências:

1) Aumento de produtividade das culturas: A calagem, através do seu reconhecido papel na melhoria dos atributos químicos do solo, é capaz de aumentar significantemente os índices de produtividade principalmente de culturas como o milho. A maior produção de grãos resulta consequentemente em uma maior produção de biomassa pelas plantas. A maior entrada de C no sistema através da deposição dessa palhada, aliada a práticas de conservação como o plantio direto, possibilita o incremento dos estoques de C do solo ao longo do tempo, como demonstrado em diversas pesquisas.

Produtividade

2) Maior atividade biológica do solo: este fator pode causar tanto o aumento quanto a redução do conteúdo de carbono dependendo de como o solo é manejado. O aumento do pH do solo pela calagem auxilia na maior atividade de diversos microrganismos no solo. Com a maior atividade da biomassa microbiana, a matéria orgânica será mais rapidamente decomposta. Este fato se aliado a práticas de revolvimento do solo, pode contribuir para a degradação do sistema. Por outro lado, se aliado a práticas conservacionistas, a maior atividade microbiológica do solo é positiva, pois gera maior quantidade de carbono lábil e associado à biomassa microbiana, o que permite maior ciclagem de nutrientes para as plantas e consequentemente maiores índices de produção.

Atividade biologica

3) Proteção física do C em agregados: a calagem possui efeitos benéficos reconhecidos para a estrutura física do solo. Através da floculação de argila por carbonatos de cálcio provenientes da calagem aliado a seu efeito cimentante, a prática pode aumentar a agregação do solo e proporcionar a proteção física da matéria orgânica em seu interior. Além disso, os próprios benefícios anteriores de aumento de aporte de biomassa e maior atividade microbiana, também atuam na melhoria da agregação do solo.

 

Agregados do solo coletados de áreas de plantio direto consolidado. Foto: João Carlos de Moraes Sá.

Agregados do solo coletados de áreas de plantio direto consolidado. Foto: João Carlos de Moraes Sá.

A calagem, dessa forma, consiste em uma importante estratégia não somente para reduzir os índices de acidez dos solos e aumentar a disponibilidade de nutrientes, mas também para proporcionar incrementos nos teores de matéria orgânica e promover a sustentabilidade dos sistemas. É importante lembrar, no entanto, que o efeito benéfico da prática para a conservação depende da utilização de técnicas sustentáveis em paralelo, como o sistema plantio direto. A adoção e correta utilização de técnicas de produção agrícola sustentáveis, além de proporcionarem maiores produtividades para o agricultor, possibilitarão uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras, através da conservação do meio ambiente.

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* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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