Como criar um bom sistema plantio direto?

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O sistema plantio direto, iniciado na década de 1970 no sul do Brasil, trouxe grandes avanços para a agricultura, elevando a produtividade das culturas, permitindo o cultivo sustentável e possibilitando a implementação de áreas de grãos em regiões com solos rasos onde previamente o cultivo era muito mais dificultoso. Hoje, com aproximadamente 35 milhões de hectares sob utilização do sistema, o Brasil desponta como um dos principais países na utilização da técnica.

Porém, com o decorrer dos anos, a prática passou de uma simples técnica de se plantar sobre a superfície do solo com cobertura para um sistema completo, envolvendo técnicas específicas presentes desde o manejo do solo até a utilização de tecnologias pós colheita. Como afinal implementar um bom sistema plantio direto? A palhada sobre a superfície do solo é um fator de fundamental importância para se obter sucesso na utilização da técnica.

Mantenha o solo coberto

A manutenção da palha na superfície do solo é um dos princípios fundamentais do sistema plantio direto. A palhada contribui com numerosos benefícios para o solo, dentre eles podemos destacar: redução da amplitude térmica do solo, manutenção da umidade, controle de plantas daninhas, amenização do impacto das gotas de chuva sobre o solo, entre vários outros.

Dependendo da região onde a área agrícola se encontra a quantidade de palha a ser depositada varia. Em regiões tropicais como no centro-oeste do Brasil, onde a temperatura e os índices de precipitação são altos, a palhada do solo acaba por se decompor muito mais rapidamente do que em regiões mais frias. Dessa forma, quanto mais favorável o clima para o intemperismo, maior a quantidade de palha a ser depositada.

Não é só a quantidade que importa

A quantidade de palha sobre a superfície do solo não é o único fator a ser considerado no sistema plantio direto. A qualidade do resíduo, ou seja, a diversidade de palhada adicionada no solo é tão importante quanto a sua quantidade. Em geral, recomenda-se alternar entre plantas com alta e baixa relação C/N, como milho e soja, respectivamente.

Para quem não sabe, a relação C/N indica basicamente a relação entre os dois elementos na palhada, plantas que possuem alta relação, por exemplo, basicamente possuem mais C do que N na sua composição, e vice-versa. Plantas como milho, sorgo, aveia preta (alta relação C/N) contribuem para a manutenção da palha sobre a superfície por tempos mais prolongados, já que são mais resistentes à decomposição. Já as plantas com baixa relação C/N como soja, feijão e grão de bico são importantes para estimular a atividade microbiana, contribuindo para a mineralização da matéria orgânica.  

Saber sobre isso já é o suficiente para conduzir um bom sistema plantio direto?

Conhecer a necessidade e importância da adição de palha sobre a superfície do solo, tanto em quantidade quanto em qualidade é o primeiro passo para a boa condução do sistema. No entanto, como mencionado anteriormente, o sistema plantio direto envolve diversos outros aspectos que vão desde o plantio até a colheita das culturas.

Você sabe exemplos de outros aspectos importantes a serem considerados? Compartilhe com a gente as suas experiências sobre o assunto!

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO. 

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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