Emissão e mitigação de carbono na agricultura brasileira

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As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global tem sido um dos assuntos mais discutidos nas últimas décadas. O efeito estufa consiste em um processo natural governado principalmente pelos gases presentes na atmosfera (dentre eles destacam-se o CO2, N2O e CH4) e é responsável por manter o planeta aquecido. No entanto, o constante aumento desses gases, principalmente o CO2 derivado da queima de combustíveis fósseis, têm intensificado o efeito estufa a níveis alarmantes.

O efeito estufa é um processo fundamental para manter a vida no planeta, porém o seu constante incremento tem causado sérios problemas ambientais. Figura: wwwp.fc.unesp.br

O efeito estufa é um processo fundamental para manter a vida no planeta, porém o seu constante incremento tem causado sérios problemas ambientais. Figura: wwwp.fc.unesp.br

Mas onde a agricultura se inclui neste cenário afinal? A contribuição das atividades agrícolas na emissão de gases do efeito estufa (GEE) a nível mundial é de aproximadamente 23%. Já no Brasil, a porcentagem de contribuição da agricultura na emissão de gases é muito maior, contribuindo com cerca de 75% das emissões de CO2. A sua emissão é proveniente principalmente da conversão de áreas de vegetação nativa para agricultura. O desmatamento e a queimada das florestas além de destruir milhares de espécies de plantas e animais, é o principal contribuinte na emissão do dióxido de carbono.

 Quando os sistemas de vegetação natural são convertidos para áreas agrícolas, há grande perda dos estoques de carbono do sistema pela derrubada e queima da floresta. Ao ser manejado sob plantio convencional com constante revolvimento do solo, o cultivo acaba por contribuir ainda mais com a degradação do solo e emissão de CO2. Em solos manejados a longo prazo sob plantio convencional, os estoques de carbono podem ser reduzidos em mais de 40% se comparado ao estoque original da vegetação nativa.

A derrubada e queimada de florestas é o principal emissor de CO2 para atmosfera na agricultura. Fonte www.telegraph.co.uk

A derrubada e queimada de florestas é o principal emissor de CO2 para atmosfera na agricultura. Fonte www.telegraph.co.uk

Porém, ao mesmo passo que a agricultura contribui para a emissão de GEE, ela também pode ajudar sua mitigação, principalmente do CO2. O solo consiste em um dos maiores reservatórios de carbono no mundo, contando com aproximadamente 1500 a 2500 Pg (bilhões de toneladas) de carbono, possuindo dessa forma um grande potencial de mitigação. O plantio direto tem sido reconhecido como uma das principais técnicas na agricultura para potencializar as mitigações de CO2 da atmosfera e promover recuperação de áreas degradadas. Sistemas com alto aporte de biomassa sobre a superfície podem atingir taxas anuais de sequestro de carbono de até 1.61 toneladas por hectare, se comparado a sistemas de plantio convencional.

Reservatórios de C na natureza. Fonte: www.fao.org

O solo consiste em um dos mais importantes reservatórios de C no planeta. Fonte: www.fao.org

A agricultura dessa forma, pode contribuir igualmente para o aumento e redução da emissão do dióxido de carbono, dependendo das práticas de manejo adotadas. Quando as perdas por oxidação excedem os ganhos, há perda dos estoques e degradação do sistema. Por outro lado, quando os ganhos se mantém superiores as perdas, os estoques vão lentamente se incrementando, possibilitando a recuperação de áreas com baixos estoques e ao mesmo tempo a mitigação do CO2. A adoção de práticas conservacionistas na agricultura, dessa forma, é essencial para garantir altos índices produtivos além de prover benefícios ambientais para o planeta.

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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