Entomologia no plantio direto, o que todo Eng. Agrônomo deve saber?

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O plantio direto se tornou a principal técnica utilizada na agricultura brasileira com o objetivo de produzir alimentos com sustentabilidade. O sistema é capaz de aliar altos índices de produção pelos diversos benefícios ao solo e também proporcionar a conservação do meio ambiente. Como visto anteriormente, o sistema envolve todo o processo produtivo que vai desde o manejo e correção do solo até a colheita das culturas. O controle de pragas e doenças na agricultura é de extrema importância no processo de produção de alimentos e o sistema plantio direto exerce influência direta sobre ela.

Veremos a seguir alguns aspectos importantes das pragas da entomologia no plantio direto que todo Eng. Agrônomo deve saber.

Plantio direto x convencional no controle de pragas

No plantio convencional, o revolvimento do solo funciona como um método de controle para algumas pragas que sobrevivem no solo durante parte do seu ciclo evolutivo. Como no plantio direto não há revolvimento do solo, tais espécies subterrâneas acabam por sobreviver com mais facilidade neste tipo de plantio. Além disso, a maior umidade proporcionada pela palhada, apesar de benéfica para o solo pode ajudar o desenvolvimento de algumas espécies de inseto praga.

Assim, espécies como Anticarsia gemmatalis, percevejos e tripes costumam apresentar populações mais elevadas sob plantio direto comparado ao convencional. Por outro lado, a rotação de culturas, muito estudada  pela entomologia no plantio direto, consiste em um dos métodos mais eficientes de controle de pragas.

Quais são as principais pragas estudadas pela entomologia no plantio direto?

Existe uma gama muito grande de pragas na agricultura que variam de acordo com a cultura plantada e região. Como uma das principais diferenças entre o plantio direto e convencional nos está no revolvimento ou não do solo, nos atentaremos a falar um pouco sobre as principais pragas estudadas pela entomologia no plantio direto de hábito subterrâneo.

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

A espécie pode atacar tanto gramíneas quanto leguminosas, sendo considerada de importância econômica principalmente no milho. A praga ataca o interior do colmo destruindo as regiões de crescimento e/ou os tecidos meristemáticos responsáveis pela condução de água e nutrientes. Diversas pesquisas têm sido realizadas para o desenvolvimento de cultivares resistentes à lagarta. Dentre os métodos de controle utilizados, o tratamento de sementes tem se destacado para controle da praga.

Larva da vaquinha (Diabrotica spp.)

A espécie de Diabrotica mais predominante no Brasil é a speciosa, cujas larvas se alimentam de raízes interferindo na absorção de água e nutrientes pela planta. O inseto tem se destacado como importante principalmente na cultura do milho. O principal método de controle da praga tem sido a aplicação de inseticidas, com destaque para a aplicação de tebupirimfos e terbufos no sulco de plantio.

Lagarta-rosca, Agrotis ipsilon

De hábito noturno, a praga costuma seccionar as plantas pouco acima do nível do solo e é favorecida pela maior umidade do solo, comumente presente em SPD. O controle químico por inseticidas e a eliminação de plantas daninhas na área são uma das principais alternativas para redução da praga, uma vez que a mesma utiliza espécies como guanxuma, corda-de-viola e unha de vaca como hospedeiros.

Percevejo-castanho, (várias espécies)

Os percevejos castanhos possuem ampla distribuição no Brasil, onde é relatado a presença de mais de seis espécies que se destacam no ataque de pastagens, soja e algodão e milho. A praga ataca o sistema radicular das plantas sugando a seiva, sendo favorecidas pela maior umidade. Dentre os métodos de controle, destaca-se a utilização do fungo Metarhizium anisopliae e o controle preventivo por inseticidas.

Bicho-bolo, coró ou pão de galinha (várias espécies)

Existem diversas espécies de corós que atacam culturas de importância agrícola com destaque ao milho, se alimentando principalmente das raízes das plantas, sendo que a maior presença da praga tem acontecido principalmente em lavouras de milho safrinha. Dentre os métodos de controle destaca-se a utilização de Metarhizium e Beauveria sp., que atuam como parasitoides da praga.

O plantio direto aumenta a ocorrência de pragas?

Estudando alguns aspectos da entomologia no plantio direto, podemos observar que a incidência de pragas depende muito da maneira que o sistema é conduzido. A rotação de culturas, componente fundamental do sistema, é um importante aliado no combate à pragas e doenças. A utilização da técnica aumenta o número de inimigos naturais na área além de favorecer a prevalência de fungos entomopatogênicos que também podem atuar no controle.

De maneira geral, quanto mais heterogênea for a rotação, menor a possibilidade de aparecimento de picos populacionais de insetos praga. Dessa forma, embora algumas condições como aumento da umidade favoreçam a ocorrência de pragas, a rotação de culturas quando bem conduzida pode se tornar um método de controle mais eficiente que inseticidas, principalmente para espécies subterrâneas.

Você costuma ter problemas recorrentes com pragas no seu sistema plantio direto? Compartilhe suas informações conosco.

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