Escarificação biológica: uma alternativa para solos compactados

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A obtenção de técnicas na agricultura que aliem a boa produtividade com a conservação do solo é um dos maiores desafios dos profissionais das Ciências Agrárias. O sistema plantio direto tem sido reconhecido como uma das principais estratégias que aliam ambas as frentes, se tornando um dos sistemas mais utilizados no mundo para promover a produção de alimento sustentável. Devido ao uso intenso de maquinários pesados em condições não ideais de umidade, a compactação do solo tem sido um dos principais problemas enfrentados na agricultura por todo o mundo.

Por causa a esse problema, muitos agricultores têm feito o uso da escarificação mecânica do solo, muitas vezes sem necessidade. No artigo “Quais são as desvantagens da escarificação do solo?”, nós falamos um pouco mais sobre os malefícios que essa prática pode trazer para a qualidade e conservação do solo no sistema. Com o objetivo de controlar os problemas com compactação do solo sem realizar seu revolvimento, a utilização da chamada escarificação biológica tem ganhado muita ênfase na agricultura conservacionista. A seguir, falaremos um pouco sobre os benefícios dessa prática.

Descompactar sem revolver: o objetivo da escarificação biológica

Como vimos em diversos artigos, a agregação do solo consiste na principal forma de proteção do carbono no solo. Ao preservar essas importantes estruturas estaremos contribuindo para a manutenção dos estoques de carbono no solo e beneficiando a qualidade do sistema em aspectos físicos, químicos e biológicos. A quebra dessas estruturas, por outro lado, leva a exposição da matéria orgânica previamente protegida em seu interior aos processos de decomposição pela biomassa microbiana, levando a degradação do solo e perca de produtividade.

A utilização da escarificação biológica, consiste no cultivo de espécies com sistema radicular profundo, como o nabo forrageiro. O desenvolvimento das raízes tem por objetivo romper as camadas adensadas do solo e ao mesmo tempo auxiliar no processo de agregação do solo. A principal vantagem da utilização da técnica é a ausência de revolvimento do solo, preservando dessa forma a matéria orgânica.

Pesquisas tem mostrado resultados positivos

Diversas pesquisas com o objetivo de avaliar a eficiência da escarificação biológica tem demonstrado benefícios da prática. No trabalho desenvolvido por DA SILVEIRA NICOLOSO et al. (2008), os autores demonstraram que a escarificação biológica pode aumentar porosidade do solo, diminuir a resistência à penetração e melhorar a infiltração de água no solo. Da mesma forma, GUEDES FILHO et al. (2013) avaliou diversas propriedades físicas do solo em função da utilização de escarificação biológica, recomendando o uso da prática em sistema plantio direto.

Escarificação mecânica ou biológica?

A escarificação biológica não tem sido uma prática muito utilizada entre os agricultores devido ao custo mais elevado e os resultados de longo prazo. Como vimos no artigo “Sustentabilidade alimentar: saiba como praticar” nós discutimos como a utilização da agricultura sustentável tem sido importante para o aumento das produtividades e preservação do meio ambiente. Portanto cada passo que pudermos dar em prol da agricultura de conservação é importante para atingirmos maiores produtividades a longo prazo e contribuir para a preservação do solo e da água. 

A escarificação biológica veio como uma alternativa sustentável para resolvermos problemas de compactação, portanto, merece ser considerada. E você, sabe mais sobre os tipos de escarificação utilizadas na agricultura? Compartilhe suas experiências conosco.

Referências

DA SILVEIRA NICOLOSO, R.  et al. Eficiência da escarificação mecânica e biológica na melhoria dos atributos físicos de um Latossolo muito argiloso e no incremento do rendimento de soja. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 32, n. 4, p. 1723-1734,  2008.

GUEDES FILHO, O.  et al. Structural properties of the soil seedbed submitted to mechanical and biological chiseling under no-tillage. Geoderma, v. 204, p. 94-101,  2013.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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