Expectativas para a safra 2016 nos EUA

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Na última semana de fevereiro deste ano o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fez um pronunciamento durante o Fórum Anual para a Agricultura onde estima que os agricultores nos EUA semearão uma área maior de milho e uma área menor de soja em comparação à safra de 2015. De acordo com o economista do USDA, Robert Johansson, os custos mais baixos com combustíveis e fertilizantes deverão proporcionar mais atratividade para o plantio de milho em detrimento da soja, trigo e outras culturas menores.

As estimativas de instituições privadas e empresas do agronegócio não são muito diferentes na sua base. Apesar de muitos preverem um aumento na área de soja também, a maioria acredita que a prioridade será dada para o milho.

Para o grupo de fertilizantes CF Industries os agricultores nos EUA deverão plantar 2,5 milhões de acres de milho a mais que no ano anterior, ao passo que o USDA espera por um incremento de 2 milhões de acres. No caso da soja a CF Industries acredita que haverá também um aumento na área de soja de 2,5 milhões de acres a mais que em 2015. Ainda segundo a CF Industries essa preferência pelo milho se dá pelos atuais preços futuros dos grãos e pelos seus custos de produção, sendo que para o milho as possibilidades são de margens melhores já que os custos com fertilizantes estão mais baixos este ano.

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O banco francês Société Générale pensa de forma semelhante ao apontar que o milho deverá ter preferência nas intenções dos produtores. As projeções do banco são porém um tanto quanto diferentes, apontando manutenção da área semeada de milho, em 88,5 milhões de acres e redução de 1% na área semeada de soja, caindo para 84,2 milhões de acres. O banco cita ainda que considera um ponto de virada entre as opções de plantar soja e milho o valor de 2,4 na razão entre preços da soja para o milho; ou seja, no momento em que emitiu o seu relatório se dividir o preço da soja pelo preço do milho o resultado era 2,2, o que favorece o plantio de milho.

Esses valores porém, podem se alterar até o início do plantio. Se partirmos do mesmo pressuposto utilizado pelo Société Générale poderíamos dizer que pelo fechamento do milho e da soja na Bolsa de Chicago em 04 de março de 2016 as opiniões já estariam divididas, pois os contratos futuros de milho e soja para a colheita apontavam uma razão de 2,41 entre os preços da soja e do milho, ou seja, poderíamos ter já muitos produtores repensando o plantio de soja.

Vamos avaliar de outro ponto de vista mais prático. No gráfico abaixo temos o retorno bruto anual do milho sobre a soja nos últimos anos no estado de Illinois, de acordo com levantamento feito pela Universidade de Illinois. Note que na grande maioria desses anos o retorno bruto com o milho foi superior ao da soja e até o momento as estimativas apontam o mesmo rumo em 2016. Sempre que a linha se mantiver acima de zero significa retorno superior para o milho e abaixo de zero, retorno superior para a soja.

Retorno bruto anual do milho sobre a soja nos últimos anos no estado de Illinois, de acordo com levantamento feito pela Universidade de Illinois.

Retorno bruto anual do milho sobre a soja nos últimos anos no estado de Illinois, de acordo com levantamento feito pela Universidade de Illinois.

Outro fator que historicamente leva o milho a ter vantagem sobre a soja é basicamente o custo dos insumos. Em anos com fertilizantes em níveis historicamente elevados o retorno com a soja tendeu a ser superior que com o milho. Isso é simples de compreender para quem trabalha no campo, já que o milho demanda mais nutrientes que a soja. Um exemplo básico disso é que o milho necessita adição de nitrogênio, ao passo que a soja é capaz de retirar nitrogênio do ar.

Também é ponto crucial o preço de venda de ambos os produtos naturalmente. O milho possui uma produtividade por hectare amplamente mais elevada que a soja, o que favorece o retorno bruto em caso de preços melhores. Um exemplo disso é que se tomarmos uma faixa de preços esperados para 2016 de US$ 3,80 por bushel para o milho e US$ 8,80 por bushel para a soja, com produtividades de 200 bushels por acre para o milho e 60 bushels por acre para a soja, conforme o preço de ambos sobe em proporções iguais o milho se torna mais atrativo. Observe na tabela abaixo:

tabela fred

Concluindo, basicamente temos nesse momento que o milho realmente tende a prevalecer sobre a soja. O contrário poderia acontecer se tivermos basicamente a combinação de um ou mais fatores como o aumento similar no preço de ambos os produtos, aumento superior no preço do milho em relação à soja, produtividade de milho se elevando em relação à da soja, custo dos insumos e combustíveis aumentando durante o período de plantio e de manejo primário nas culturas.

Pelas estimativas preliminares no entanto, considero um tanto quanto ingênuo apostar em muitas reduções de área na soja, apesar de os indicadores econômicos e financeiros favorecerem o plantio de milho. As expectativas climáticas também apontam mais riscos para o milho que para a soja devido aos possíveis efeitos do El Niño e La Niña. Outro fator que pode pender para o lado da soja é o dólar, já que a soja ainda possui forte demanda mundial, ao passo que o milho possui uma concorrência mundial mais elevada e caso o dólar se mantenha forte existirá sempre uma tendência dos compradores mundiais de buscar o cereal em países como Brasil, Argentina e Ucrânia em detrimento dos Estados Unidos.

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*Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO. 

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Sobre o Autor

Atua no mercado financeiro agropecuário desde 2007 como Operador de Commodities em corretoras nacionais e multinacionais. É profissional certificado pela ANCOR (Associação Nacional das Corretoras), pelo PQO (Programa de Qualificação Operacional) da BM&FBovespa e devidamente autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para atuar no mercado financeiro. Hoje, Sócio-proprietário da Priore Investimentos, presta serviços de consultoria financeira, operações de hedge no mercado de commodities agrícolas e câmbio. Saiba mais em: www.prioreinvestimentos.com.br

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