Fungos e bactérias, qual sua importância para a qualidade do solo?

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Agropro Fungos e bactérias, qual sua importância para a qualidade do solo

Fungos e bactérias normalmente estão sempre associados a doenças e malefícios tanto para as plantas e animais quanto para o ser humano. No entanto, esses dois organismos consistem em componentes fundamentais para a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes, chegando a representar cerca de 80% dos organismos vivos presentes no solo (Six et al., 2006). Além disso, a sua composição também funciona como um importante indicador de qualidade do solo (Bailey et al., 2002) e está diretamente associada à presença de formas mais lábeis da matéria orgânica (Ghani et al., 2003).

A seguir, veremos como esses importantes organismos podem ajudar a manter a qualidade e a saúde do solo.

Figura 1: Comunidade microbiana do solo é fundamental para sua qualidade. Foto: João Carlos de Moraes Sá.

A importância da adição de biomassa

A adição de palhada na superfície e a sua manutenção constante é um dos componentes mais importantes do sistema plantio direto. As comunidades fúngicas e bacterianas são responsáveis por grande parte da decomposição dessa palhada, que consiste na principal fonte de carbono para o solo em sistemas de cultivo (Sá et al., 2014).

Através da atuação de fungos e bactérias, a palhada decomposta incrementa primeiramente os compartimentos mais lábeis do carbono, que são essenciais para sua qualidade. A medida que o grau de decomposição do material evolui, compartimentos mais estáveis da matéria orgânica vão sendo ampliados, processo fundamental para o aumento dos estoques de carbono ao longo do tempo (Baker et al., 2007). Dessa forma, a presença desses organismos decompositores viabiliza o suprimento de matéria orgânica para o solo, preservando a estrutura do solo e proporcionando uma melhor qualidade para o crescimento das plantas.

Figura 2: Sistemas que promovam maior diversidade de culturas e adição de resíduos culturais sobre a superfície do solo promovem maior qualidade para as comunidades de fungos e bactérias no sistema. Foto: João Carlos de Moraes Sá.

Como o manejo do solo afeta a comunidade de fungos e bactérias no solo?

O manejo do solo afeta diretamente a comunidade de fungos e bactérias, uma vez que estes se comportam como sensíveis indicadores de qualidade do mesmo. Sistemas de manejo que visam a maior diversidade biológica do solo, com rotações de culturas diversificadas contribuem significativamente para a qualidade biológica do solo (Acosta-Martinez et al., 2003). Diversos trabalhos demonstram o papel da rotação de culturas no favorecimento de importantes componentes do solo como a biomassa microbiana (Bell et al., 2003), qualidade da comunidade fúngica do solo (Thompson, 1987; Wright et al., 1996) e presença de carboidratos (Oades, 1967).

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Figura 3: Uma melhora significativa da qualidade biológica do solo é notada em sistemas de produção que proporcionem as características descritas nos itens.

Sistema plantio direto para a manutenção da qualidade do solo

Como pudemos ver, sistemas de cultivo que visam o aumento e manutenção dos teores de matéria orgânica do solo beneficiam diretamente a qualidade biológica do solo, especialmente em relação às comunidades de fungos e bactérias no sistema. Dessa forma, preservar a estrutura do solo através da rotação de culturas, adição e manutenção de palha na superfície, além do não revolvimento do solo (critérios base do sistema plantio direto) são fatores fundamentais para proporcionar um maior crescimento das plantas e atingir maiores produtividades agrícolas.

E você, sabe mais sobre como a comunidade microbiana do solo pode proporcionar uma melhor qualidade dos sistemas agrícolas? Compartilhe suas experiências conosco.

Referências

Acosta-Martinez, V., Zobeck, T., Gill, T., Kennedy, A., 2003. Enzyme activities and microbial community structure in semiarid agricultural soils. Biology and Fertility of soils 38, 216-227.

Bailey, V.L., Smith, J.L., Bolton, H., 2002. Fungal-to-bacterial ratios in soils investigated for enhanced C sequestration. Soil Biology and Biochemistry 34, 997-1007.

Baker, J.M., Ochsner, T.E., Venterea, R.T., Griffis, T.J., 2007. Tillage and soil carbon sequestration—What do we really know? Agriculture, Ecosystems & Environment 118, 1-5.

Beare, M.H., Parmelee, R.W., Hendrix, P.F., Cheng, W., Coleman, D.C., Crossley, D., 1992. Microbial and faunal interactions and effects on litter nitrogen and decomposition in agroecosystems. Ecological Monographs 62, 569-591.

Bell, J.M., Smith, J.L., Bailey, V.L., Bolton Jr, H., 2003. Priming effect and C storage in semi-arid no-till spring crop rotations. Biology and Fertility of Soils 37, 237-244.

Ghani, A., Dexter, M., Perrott, K., 2003. Hot-water extractable carbon in soils: a sensitive measurement for determining impacts of fertilisation, grazing and cultivation. Soil Biology and Biochemistry 35, 1231-1243.

Gupta, V., Germida, J., 1988. Distribution of microbial biomass and its activity in different soil aggregate size classes as affected by cultivation. Soil Biology and Biochemistry 20, 777-786.

Oades, J., 1967. Carbohydrates in some Australian soils. Soil Research 5, 103-115.

Sá, J.C.d.M., Tivet, F., Lal, R., Briedis, C., Hartman, D.C., dos Santos, J.Z., dos Santos, J.B., 2014. Long-term tillage systems impacts on soil C dynamics, soil resilience and agronomic productivity of a Brazilian Oxisol. Soil and Tillage Research 136, 38-50.

Schnürer, J., Clarholm, M., Rosswall, T., 1985. Microbial biomass and activity in an agricultural soil with different organic matter contents. Soil Biology and Biochemistry 17, 611-618.

Six, J., Frey, S., Thiet, R., Batten, K., 2006. Bacterial and fungal contributions to carbon sequestration in agroecosystems. Soil Science Society of America Journal 70, 555-569.

Thompson, J., 1987. Decline of vesicular-arbuscular mycorrhizae in long fallow disorder of field crops and its expression in phosphorus deficiency of sunflower. Crop and Pasture Science 38, 847-867.

Wright, S., Franke-Snyder, M., Morton, J., Upadhyaya, A., 1996. Time-course study and partial characterization of a protein on hyphae of arbuscular mycorrhizal fungi during active colonization of roots. Plant and Soil 181, 193-203.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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