Gesso agrícola pode melhorar qualidade biológica do solo?

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Agropro Gesso agrÍcola pode melhorar qualidade biológica do solo

O gesso agrícola tem se tornado uma das principais técnicas de correção do solo utilizadas na agricultura. Por ser um subproduto da fabricação do ácido fosfórico, a gessagem já foi uma técnica pouco utilizada. No entanto, com o avanço das pesquisas demonstrando seus benefícios para a fertilidade do solo, principalmente para a redução dos conteúdos de alumínio, a técnica tem ganhado cada vez mais força principalmente em regiões tropicais, que sofrem pela elevada acidez do solo.

Recomendações precisas para aplicação do gesso, no entanto, ainda não estão totalmente elucidadas, e as pesquisas demonstrando seus benefícios ainda são escassas comparado a outras práticas de fertilização. Porém, um benefício ainda pouco conhecido da prática é a melhora da qualidade biológica do solo.

A seguir, veremos como o gesso agrícola pode ajudar a melhorar a qualidade do solo sobre um ponto de vista ainda pouco conhecido.

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Figura 1: Aplicação de gesso agrícola tem sido reconhecida como uma das principais práticas da fertilidade do solo em ambientes tropicais e subtropicais. Foto: usagypsum.com

Cálcio, um elemento essencial para a agregação do solo

Como pudemos ver em artigos sobre a calagem, os íons de cálcio podem funcionar como importantes agentes de agregação do solo. Atuando em escala microscópica no solo, os íons funcionam como pontes de ligação, proporcionando a ligação entre partículas de argila e matéria orgânica (Tisdall and Oades, 1982).

No trabalho desenvolvido por Briedis et al. (2012) com calcário, os autores demonstraram a íntima relação entre átomos de cálcio e carbono em escala microscópica, enfatizando dessa forma o papel do íon como agente de ligação. Como o cálcio é também um dos elementos principais da composição do gesso agrícola, a técnica consiste em um grande potencial em proporcionar a melhora da estrutura do solo através da agregação.

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 Figura 2: Agregação do solo consiste em um dos mecanismos mais importantes de proteção do carbono. Foto: João Carlos de Moraes Sá.

Gesso agrícola e a atividade biológica do solo

Em um trabalho desenvolvido por Wong et al. (2009), os autores demonstraram, através de técnicas de incubação, que o gesso aliado à adição de resíduos vegetais pode incrementar significativamente a biomassa microbiana e atividade biológica do solo. Através da melhoria das condições químicas e físicas do solo proporcionadas pela aplicação do corretivo, a atividade da biomassa microbiana do solo é potencializada, melhorando dessa forma a ciclagem da matéria orgânica do solo (Carter, 1986).

No trabalho desenvolvido por Inagaki et al. (2016) em um experimento de longa duração com calcário e gesso, os autores demonstraram o incremento de diversos compartimentos da matéria orgânica do solo, bem como a atividade enzimática pela aplicação do gesso agrícola. Tal aumento foi atribuído principalmente devido ao incremento dos íons de cálcio no solo, adição de biomassa pelo plantio direto e também preservação da estrutura do solo através do não revolvimento do solo.

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Figura 3: Aumento dos estoques de Carbono extraído por água quente (HWEOC), carbono extraído por permanganato de potássio (POXC), carbono orgânico particulado (POC) e atividade de arilsulfatase proporcionado por diferentes doses de gesso em plantio direto. Fonte: Inagaki et al. (2016).

Considerações finais

Como pudemos ver, o gesso agrícola apresenta um grande potencial para a melhora da qualidade biológica do solo por diversos aspectos. No entanto, trabalhos avaliando a interferência da prática em diferentes propriedades do solo além da fertilidade ainda são escassas. Através do desenvolvimento de novas pesquisas avaliando a eficiência da gessagem na melhora de diferentes atributos do solo, poderemos descobrir potenciais cada vez maiores da utilização do corretivo.

E você, sabe mais benefícios da prática para a qualidade do solo? Compartilhe suas experiências conosco!

Referências

Briedis, C., Sa, J.C.d.M., Caires, E.F., Navarro, J.d.F., Inagaki, T.M., Boer, A., Neto, C.Q., Ferreira, A.d.O., Canalli, L.B., Santos, J.B.d., 2012. Soil organic matter pools and carbon-protection mechanisms in aggregate classes influenced by surface liming in a no-till system. Geoderma 170, 80-88.

Carter, M., 1986. Microbial biomass and mineralizable nitrogen in solonetzic soils: influence of gypsum and lime amendments. Soil Biology and Biochemistry 18, 531-537.

Inagaki, T.M., Sá, J.C.d.M., Caires, E.F., Gonçalves, D.R.P., 2016. Lime and gypsum application increases biological activity, carbon pools, and agronomic productivity in highly weathered soil. Agriculture, Ecosystems and Environment 231, 156–165.

Tisdall, J., Oades, J.M., 1982. Organic matter and water‐stable aggregates in soils. Journal of soil science 33, 141-163.

Wong, V.N., Dalal, R.C., Greene, R.S., 2009. Carbon dynamics of sodic and saline soils following gypsum and organic material additions: a laboratory incubation. Applied Soil Ecology 41, 29-40.

 

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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