Isolamento social é impulso para a digitalização no campo

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Mesmo os agricultores que ainda resistem à digitalização no campo já se renderam aos recursos tecnológicos para conseguir manter a atividade nos últimos meses. O que já era uma tendência, ganhou impulso com o surgimento da pandemia da Covid-19. A restrição ao contato pessoal obrigou os produtores a se a habituarem com as transações online. Isso acaba tendo um grande reflexo no agronegócio. Ainda que no Brasil os sites voltados a agricultura não sejam tão bem explorados quanto em outros setores de e-commerce, a tendência é que pelo menos dois segmentos ganhem impulso nesse período e cresçam mais do que se esperava no início deste ano. A compra de insumos e o crédito rural online já estão se tornando uma prática entre os agricultores.        

Investimento na agricultura 4.0

A nova revolução agrícola que tanto se fala e que nós já tratamos aqui já está acontecendo. O início foi antes mesmo da pandemia. Iniciativas públicas e privadas já vêm investindo na chamada agricultura 4.0, pesquisas têm sido desenvolvidas para inovação e tudo isso ganha força neste momento e tende a crescer para atender o setor produtivo.

A McKinsey Consultoria fez um estudo no começo de 2020 que mostrou o Brasil à frente dos Estados Unidos no que diz respeito à digitalização no campo. Entre os agricultores brasileiros, 36% usam ferramentas online e entre os americanos, 24% lançam mão deste tipo de tecnologia. “O futuro da agricultura, a nosso ver, é multicanal. O futuro da agricultura tem uma componente digital forte e a gente espera ver, assim como viu em outros setores – como bancos, supermercados e aplicativos – nos próximos meses e anos isso sendo muito forte na agricultura” afirmou Nelson Ferreira, sócio-sênior da McKinsey.

Quem é o produtor conectado na tecnologia?

O estudo da McKinsey consultou 750 agricultores de diferentes culturas e regiões do Brasil. O objetivo era entender o que se passa na cabeça do agricultor brasileiro. A pesquisa também traçou um perfil dos produtores que já usam a tecnologia na propriedade.

A conclusão é que a maioria dos produtores conectados com a tecnologia se dedicam ao cultivo de algodão e grãos e tem um nível de escolaridade alto. Quase metade deles é jovem com menos de 35 anos e praticamente todos tem acesso a internet na propriedade rural.  

Receptividade do produtor ajuda no desenvolvimento

A receptividade do produtor brasileiro às novas tecnologias é o que garante que esse impulso para a digitalização no campo de fato ocorra. Desde que as máquinas passaram a substituir a tração animal no início do século 20, observa-se que o agricultor brasileiro acompanha e adapta-se rapidamente a evolução tecnológica. Nos últimos 50 anos, a ciência dedicou esforços a criar soluções tecnológicas que possibilitam hoje que o Brasil se destaque neste cenário de revolução agrícola digital. Esse conjunto de fatores é o que vai determinar o amplo crescimento do setor no país após esse período de dificuldades que o mundo todo enfrenta. 

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