Manejo integrado de pragas ou pesticidas?

0
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

O Manejo IntegradoSem título3 de Pragas (MIP) é um programa que foi implementado no Brasil na década de 1970, devido à necessidade de um controle efetivo de pragas, com baixo custo e uso de inseticidas somente quando fosse preciso. Na época o tema foi abordado em aproximadamente 250 palestras, abrangendo cerca de 100.000 participantes e distribuídos 70.000 panos-de-batida para avaliação da população de insetos e 500.000 fichas para registro dos insetos-pragas e inimigos naturais (BUENO et al., 2012). Neste mesmo período, houve o envolvimento de cooperativas, universidades, assistência técnica e institutos de pesquisa, ou seja, incentivo público e privado contribuíram para a validação e o aprimoramento dessa tecnologia. Porém, já se passaram mais de 40 anos e verifica-se um abandono do monitoramento das lavouras, o uso elevado de inseticidas, aplicações desnecessárias, muitas vezes, apenas preventivas sem critérios técnicos, fazendo o uso de calendários.

Não bastassem esses problemas, no início da década de 1990 foram observadas as primeiras falhas de controle com o percevejo marrom Euschistus heros, foi constatado que as causas da ineficiência eram devidas a presença de indivíduos resistentes à endosulfam e organofosforados (OFs), problema que persiste até o presente (SOSA-GÓMEZ et al., 2001; SOSA-GÓMEZ & SILVA, 2010). Ampliando-se para outros grupos de inseticidas como as misturas de neonicotinoides e piretroides (HUSCH et al., 2014).

 

banner_728x90_7

 

Atualmente, poucos são Sem título2os produtos registrados no Brasil para o controle de percevejos. Em 2004, foram registradas as primeiras misturas de neonicotinoides (imidacloprido) e piretroides (beta-ciflutrina) para a cultura da soja, e no ano seguinte, uma nova mistura de tiametoxam mais lambda-cialotrina foi recomendada para esta finalidade (SOSA-GÓMEZ & SILVA, 2010). Por falta de alternativas, essas misturas e os produtos a base de acefato, são atualmente os inseticidas mais usados no controle de percevejos, aumentando o risco de seleção de populações resistentes, cada vez mais frequentes. Portanto, atualmente o controle de percevejos está em situação insolúvel e não existem alternativas de produtos eficientes e seletivos. Esta situação é agravada pela recente limitação de uso de neonicotinoides em diversas culturas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) (BRASIL, 2012).

 

Referências:

BUENO, A.F. et al. Histórico e evolução do manejo integrado de pragas da soja no Brasil. In: HOFFMANN-CAMPO, C.B. et al. Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília, DF: Embrapa, 2012. p. 37-74.

BRASIL, Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. IBAMA, Comunicado. Diário Oficial da União – Seção 3. P. 112. N.°139. 19 de jul. 2012. ISSN 1677-7069.

HUSCH, P. E. et al. Monitoramento da suscetibilidade de populações de Euschistus heros a tiametoxam+lambda-cialotrina e acefato. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA, 34., 2014, Londrina. Resumos expandidos… Londrina: Embrapa Soja, 2014. p. 78-79. Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/108224/1/Monitoramento-da-suscetibilidade-de-populacoes-de-Euschistus-heros-aTiametoxamLambda-Cialotrina-e-Acefato.pdf>. Acesso em 29 out. 2014.

SOSA-GÓMEZ, D.R.; SILVA, J.J. Neotropical brown stink bug (Euschistus heros) resistance to methamidophos in Paraná, Brazil. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 45, n.7, p.767-769, jul. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X2010000700019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 06 jun. 2013. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2010000700019.

SOSA‑GÓMEZ, D.R. et al. Insecticide resistance to endosulfan, monocrotophos and methamidophos in the neotropical brown stink bug, Euschistus heros (F.). Neotropical Entomology, v.30, n. 2 p.317‑320, 2001.  Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-566X2001000200017&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em:  10  jun.  2013. doi:  http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2001000200017.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Sobre o Autor

Patrícia Husch é doutora em Entomologia, pela Universidade Federal do Paraná (2012). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Entomologia, atuando principalmente nos seguintes temas: entomologia agrícola, pragas da soja, Pentatomidae.

Comentários no Facebook