Bom momento para olhar o milho na bolsa de chicago

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Que os preços do milho foram às alturas aqui no Brasil nesta última safra e principalmente neste ano não é novidade para ninguém. O que também não é novidade para muitos é que os preços do milho nos EUA, balizados pela Bolsa de Chicago (CBOT), rondam os menores níveis dos últimos 10 anos. Recentemente até melhoraram, mas chegaram a bater US$ 3,00 por bushels semanas atrás, valores estes que só eram vistos em 2006, ou antes disso.

Um ponto interessante a ser observado aqui é que os preços reagiram após alguns alertas de que a produção de milho dos EUA na safra atual não seria tão grande quanto inicialmente projetada por conta de alguns problemas climáticos em algumas regiões do país justo na reta final da safra. De qualquer forma não dá para dizer que a safra deles não será boa, somente não será tão grande quanto anteriormente estimado.

Se juntarmos alguns fatores que estão rondando o mercado na atual temporada podemos ter uma combinação interessante que levaria o milho a uma guinada na tendência, mas é claro que dependemos desses fatores virem à tona.

A safra de milho na América do Sul tende a não ser tão confortável como em anos anteriores, principalmente no Brasil, devido aos problemas com falta de oferta ao longo deste ano e escassez do produto nas principais regiões consumidoras do sul do Brasil. Apesar de algum aumento esperado na área de plantio do Brasil e de um bom aumento na área de plantio da Argentina, ainda assim, se tivermos problemas climáticos pela frente, podemos manter esse quadro de dificuldade na oferta.

Naturalmente precisamos de um problema climático mais sério para comprometer a oferta e é justamente essa questão de não ter muito espaço para erros e perdas que coloca o milho em uma possível situação favorável de preços e não só aqui, mas também nos EUA.

O último relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA, o USDA, divulgado agora no começo de outubro, colocou os estoques finais de milho dos EUA em níveis um pouco menores se comparados com o relatório de setembro. Não foi um número de surpreender, pois veio dentro das estimativas do mercado e alinhado com a expectativa de redução no número final da safra de milho deles.

O principal ponto a se prestar atenção é que o USDA aumentou as estimativas de exportações de milho novamente. Só como comparação, no início da temporada 2016/17 o USDA projetava exportações de 48,3 milhões de toneladas e no relatório mais recente estima 56,5 milhões de toneladas, um aumento de mais de 15%. Por outro lado, apesar de estarem em níveis elevados, as exportações de milho dos EUA tendem a cair na entrada da primavera do hemisfério norte, justamente por culminar com a safra do hemisfério sul.

Milho bolsa de chicagoPor fim, é nessa junção de fatores que gostaria de chegar. Se tivermos novamente dificuldades climáticas por aqui, aliado ao fato de os EUA estarem exportando níveis recordes de milho, podemos ter uma situação que traga ao milho uma mudança no rumo dos preços, talvez até mais forte por lá, nos EUA, que por aqui, mas dependendo do tamanho do estrago aqui a cotação do milho poderá novamente subir.

Quando comento sobre o bom momento para olhar o milho em Chicago é justamente essa questão de termos preços em níveis históricos baixíssimos por lá e alguns riscos de mercado pela frente que terão de ser precificados, ou seja, em caso de confirmação desses fatores, a escalada de alta por lá pode ser maior que por aqui.

O último alerta que fica é que não tem como adivinharmos o resultado da safra, pois para que isso tudo aconteça, conforme citei acima, é necessário uma junção de fatores climáticos e comerciais. Caso isso não ocorra tudo indica que teremos uma safra boa o suficiente para tapar o buraco deixado na safra anterior, pressionando os preços do milho justamente no sentido contrário, o da queda.

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Sobre o Autor

Atua no mercado financeiro agropecuário desde 2007 como Operador de Commodities em corretoras nacionais e multinacionais. É profissional certificado pela ANCOR (Associação Nacional das Corretoras), pelo PQO (Programa de Qualificação Operacional) da BM&FBovespa e devidamente autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para atuar no mercado financeiro. Hoje, Sócio-proprietário da Priore Investimentos, presta serviços de consultoria financeira, operações de hedge no mercado de commodities agrícolas e câmbio. Saiba mais em: www.prioreinvestimentos.com.br

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