MIP contribui para qualidade do café brasileiro

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O Manejo Integrado de Pragas (MIP) tem contribuído de forma significativa para a qualidade do café produzido no Brasil.  

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café, o Programa Cafés Sustentáveis do Brasil certifica produtos com rastreabilidade assegurada desde a produção até a industrialização. São escolhidos os grãos provenientes de fazendas certificadas quanto à produção sustentável, que preservam o meio ambiente e respeitam o produtor.

É nesse contexto que o MIP se mostra essencial. É um sistema de apoio de tomada de decisões no controle de pragas, considerando os impactos ecológicos, econômicos e sociais.

Principais pragas do café

Há um número considerável de pragas que atacam o café no campo. Entre elas estão a Broca-do-café, o Bicho-mineiro e as Cigarras. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas:  

  • Broca-do-café – Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867): uma mudança no sistema de produção de café com o aparecimento da ferrugem retirou o posto desse inseto como o principal problema fitossanitário da cultura, devido ao aumento do espaçamento entre fileira de plantas para facilitação da mecanização do controle da doença. Ainda assim, continua importante por atacar os frutos em qualquer estágio de maturação, de verdes a maduros (cerejas) ou secos.  A amostragem deve ser iniciada na época do trânsito da broca (outubro a dezembro), variável de acordo com as regiões cafeeiras. O Controle biológico da Broca-do-café é se dá a partir da vespa-de-uganda, Prorops nasuta (Waterston, 1923); Hymenoptera: Bethylidae e o fungo Beauveria bassiana. A vespa foi introduzida na década de 1920 e não se adaptou às condições brasileiras. O fungo B. bassiana é comum em anos chuvosos e frequente no orifício feito pela broca na região da coroa, e são utilizado em algumas formulações comerciais de produto, para controle da praga. O Controle cultural dessa praga é feito por meio da catação dos grãos de café que ficam no chão ou na planta, após a colheita, para diminuição dos focos de infestação. Já para o Controle químico da broca-do-café, com a retirada do endossulfan (ciclodienoclorado) até julho de 2013, foram registrados apenas o organofosforado clorpirifós e o etofenproxi (éter difenílico).
  • Bicho-mineiro – Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville; Perrotet, 1842): A redução da capacidade fotossintética, pela destruição das folhas e, principalmente, pela queda das mesmas é o principal dano causado por esse insetos. Os prejuízos aparecem na safra seguinte, de modo geral, em que desfolhas drásticas sucessivas tornam as plantas enfraquecidas, comprometendo a longevidade das mesmas. Geralmente, a população desse inseto é maior em cafezais com maiores espaçamentos (mais abertos e arejados). Regiões mais quentes propiciam um melhor ambiente para um maior número de gerações da praga, e, portanto, maior o risco de prejuízos Dados experimentais demonstram reduções na produção que variam de 37% a 80%. O controle biológico do Bicho-mineiro é feito com predadores pertencentes à família Vespidae, que destroem as galerias de P. coffeella para se alimentar das suas lagartas. A eliminação das ervas daninhas nos cafezais contribui para a diminuição da praga por meio do Controle Cultural. Recomenda-se a capina e evitar o uso de coberturas mortas e culturas intercalares. Já para fazer o controle químico é preciso analisar a época em que o ataque ocorre. Em locais onde o ataque se dá no período seco (julho, agosto), o controle inicia-se quando são encontradas 40 folhas com lagartas vivas, no total de 100 folhas amostradas (de preferência do terceiro ou quarto internódios e da parte média da planta). Nas regiões em que o ataque ocorre no período chuvoso (dezembro, janeiro e fevereiro) o nível é de 20%. Em Minas Gerais, o nível de controle é de 30% nas regiões de clima ameno (como o sul de Minas) e de 20% em regiões de clima seco (como o Triângulo e Alto Paranaíba). Os ingredientes ativos recomendados para controle da praga são: abamectina (avermectina), análogo da nereistoxina (cartape), antranilamida, benzoilureia, carbamatos, éter piridiloxipropílico, neonicotinoides, organofosforados, piretroides e espinosinas (espinosade)
  • Cigarras – (Quesada sp., Fidicina sp. e Carineta sp.): apesar de existirem várias diferentes espécies que atacam o cafeeiro, apenas essas três tem importância econômica. As fêmeas depois de copuladas fazem a postura em baixo da casca dos ramos em fendas abertas pelo ovipositor. Após o período de incubação do ovo, eclode uma pequena larva, denominada ninfa móvel, que desce até o solo, onde faz pequenos furos, pouco perceptíveis, indo se alojar nas raízes mais grossas, onde pode permanecer de 1 até 2 anos sugando continuamente o sistema radicular da planta. Isso causa sérios danos ao cafezal, pois plantas atacadas apresentam amarelecimento e queda precoce das folhas, seca de ramos produtivos e declínio da produção. A amostragem deverá ser realizada no mês de novembro, logo após a saída dos adultos, para que se tenha idéia da quantidade de ninfas que possam permanecer no solo. O controle das Cigarras pode ser feito por armadilhas denominadas Ecospray F-65. São armadilhas sonoras que objetivam a captura de fêmeas adultas de Q. gigas, num raio de ação de 80 m, cobrindo 2 ha. Devem ficar ligadas de 30 a 40 minutos por ponto de amostragem. O rendimento do levantamento por armadilha é de 20 a 30 ha/dia. Os adultos (fêmeas) são atraídos pelo som de uma corneta (semelhante ao som emitido pelo macho adulto) e são mortos por pulverização de inseticida em circuito fechado, que não atinge o ambiente. A utilização da armadilha deve ser feita durante o período de setembro a outubro. Outra opção é o controle químico com os mesmos agroquímicos sistêmicos indicados para o bicho-mineiro, com aumento de 20% a 30%. A recepa (poda), depois de constatada a eficiência do controle químico (após altas infestações), pode ajudar na recuperação da planta. Não se deve efetuar a poda antes da recuperação da planta, pois a perda de raízes, em virtude da recepa, se somará aos danos do inseto, com a morte de plantas. Produtos seletivos Os agroquímicos sistêmicos aplicados no solo, em períodos chuvosos, controlam o bicho-mineiro, as cigarras, as cochonilhas (incluindo as das raízes) e as larvas da mosca-da-raiz, além de não afetar os inimigos naturais das diferentes pragas. 

Para evitar prejuízos, todas as pragas que surgirem devem ser constantemente monitoradas. Assim é possível adotar medidas de controle para que o nível de dano econômico das pragas seja respeitado. As mais eficazes são as que usam o Manejo Integrado de Pragas, com a aplicação de defensivos e biodefensivos, usando os produtos químicos como último recurso, somente no momento certo para cada praga e de forma controlada.

O melhor café do mundo

Já tomou seu café hoje? No ranking de consumo de café estamos na segunda posição mundial, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). A exportação de café brasileiro é a maior do mundo, segundo a ABIC. É o maior indicativo da qualidade do produto e um dos fatores que contribuem para alcançar esse lugar de destaque vem do campo. 

Apesar de parecer a mesma coisa, o café possui duas espécies completamente diferentes: o café arábica (Coffea arabica) e o café robusta (Coffea canephora). Abaixo, segue uma tabela com as principais diferenças entre essas duas espécies que são plantadas nos Brasil.

CARACTERÍSTICASARÁBICACANEPHORA
PRINCIPAIS VARIEDADESTypica e BourbonRobusta ou Conilon
ALTITUDE alta (1000 – 2000m)baixa (< 700m)
AÇÚCARES++++
CAFEÍNA++++
CARACTERÍSTICA BEBIDAmaior qualidade, leve, ácidomenor qualidade, encorpado, amargo
TEMPERATURA (ºC)15 – 2424 -30
PRECIPITAÇÃO (mm/ano)1500 – 20002000 – 3000
PRODUTIVIDADE menor (30 sc/ha)maior (38 sc/ha)
PREÇO  588,86 R$/sc362,14 R$/sc
% EXPORTAÇÃO (EUA, ALE, JAP)82,47,6

Minas Gerais é o maior estado produtor de café do Brasil, responde por cerca de 50% da produção nacional e é uma das principais fontes de cafés especiais do país. Praticamente 100% das plantações são de café Arábica. Já o Espírito Santo é o segundo maior estado produtor de café do país e o principal produtor de Conilon (Robusta).

Dia nacional do café

No dia 24 de maio comemora-se o dia nacional do café. A data simboliza o início da colheita em grande parte das regiões cafeeiras do Brasil.

Para 2020 o IBGE estima que a safra seja 14,2% maior e que a produção deve chegar a 57 milhões de sacas. 

Referência:

PARRA, José Roberto Postalli; REIS, Paulo Roberto. Manejo integrado para as principais pragas da cafeicultura, no Brasil (2013). Disponível em: <https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/va12-fitossanidade01.pdf>. Acesso em: 21 mai 2020.

MESQUITA, Carlos Magno de et al. Manual do café: distúrbios fisiológicos, pragas e doenças do cafeeiro (Coffea arábica L.). Belo Horizonte: EMATER-MG, 2016. Disponível em: <http://www.sapc.embrapa.br/arquivos/consorcio/publicacoes_tecnicas/livro_disturbios_fisiologicos_pragas_doen%C3%A7as.pdf>. Acesso em: 21 mai 2020.

Colaborou Thiago Rutz, engenheiro agrônomo CREA-PR 151243/D


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