Novas fronteiras agrícolas – novidades e contrapontos

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Um assunto muito martelado nos últimos anos tem sido a questão das novas fronteiras agrícolas. Muito se tem falado, estudado e acompanhado a respeito do grande potencial de crescimento latente principalmente em países da América do Sul, como o Brasil, a Argentina, Paraguai e Bolívia.

Atualmente fica mais claro que lá atrás, em meados dos anos 90, quando esse assunto foi levantado, que tal perspectiva se cumpriu e ainda temos muito espaço para expandirmos nossa área agrícola, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, naturalmente buscando fazer sempre o uso correto das tecnologias de produção e equilibrando sempre as questões ambientais.

Porém, outro ponto que quero levantar aqui é que nos anos mais recentes o mundo tem olhado também para outras novas fronteiras agrícolas. Isso mesmo, o Brasil, junto com a América do Sul, pode estar deixando passar a oportunidade de ser o celeiro do mundo, como por muitos fora alardeado no passado.

Muitos artigos, estudos e demais publicações tem falado sobre o potencial produtivo latente na África, que apesar de ser relativamente pobre de recursos tecnológicos, é rica em recursos naturais, como a terra, e também em mão-de-obra, e melhor, mão-de-obra jovem. Outro ponto interessante é que na maioria dos países africanos a maior parte da população ainda reside na zona rural, o que facilita e promove o engajamento das pessoas com o setor.

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Cultivo de algodão no Sudão.

Levanto essa questão, pois não é de hoje que empresas do mundo todo tem investido, inclusive empresas brasileiras, e em diversos países africanos, recursos buscando produzir alimentos e produtos agrícolas de forma mais eficiente, barata e por outro fator importante, estar mais próximo do maior mercado consumidor mundial, que é a Ásia.

Apenas para citar alguns exemplos, em Angola empresas brasileiras tem investido capital na produção de açúcar e etanol, no Moçambique existem empresas brasileiras investindo na produção de milho e soja, além de projetos em parcerias com universidades brasileiras no desenvolvimento de áreas de silvicultura. Este último por exemplo, envolve a Universidade Federal do Paraná, que desenvolve um projeto de cultivo de uma árvore tipicamente brasileira, a Araucária, natural das regiões de campo da região sul do Brasil, principalmente do Paraná. Detalhe interessante aqui é que no Brasil é proibido por lei o cultivo de Araucária para desbaste. E é nesse ponto que gostaria de deixar minhas principais ponderações.

Como é possível isso? Uma árvore nativa do Brasil estar sendo cultivada com apoio técnico e científico de uma universidade brasileira em solo africano e no Brasil não acontecer nada disso. A questão é simples. A velha e conhecida burocracia brasileira. É muito importante darmos atenção a esse ponto. Podemos estar deixando passar a oportunidade de ser o “celeiro do mundo” pelo simples problema do custo Brasil.

Estevão Mafuma Júnior acompanha o crescimento da muda de araucária. Fotografia de Dartagnan Bággio Emerenciano

Estevão Mafuma Júnior acompanha o crescimento da muda de araucária em Moçambique. Fotografia de Dartagnan Bággio Emerenciano

Começam a sobrar duas alternativas dessa forma: ou cobramos mais as nossas autoridades, e quando comento isso, digo do vereador, do presidente do sindicato rural, do prefeito, na busca pela melhora na eficiência das nossas cadeias produtivas e pela redução desses entraves, englobados no custo-Brasil, ou por fim, nos mudamos para as novas fronteiras agrícolas a fim de nos beneficiarmos das oportunidades e dos incentivos colocados por outros países e outras nações na busca por um lugar ao sol.

Obviamente que é muito interessante e pode ser motivo de orgulho ver brasileiros investindo no desenvolvimento agrícola de países africanos, muitas vezes enfrentando muitos desafios, porém sabemos que ainda existe espaço para novos investimentos e desenvolvimento aqui no Brasil mesmo, e se estão buscando outros lugares para fazer o que poderiam fazer aqui, é porque nesses outros lugares é mais vantajoso.

Muito melhorou nos últimos anos, mas precisa melhorar ainda mais, e cada um que está inserido na cadeia produtiva pode exercer seu papel de cobrança a fim de sempre melhorarmos nossa produção, nosso desenvolvimento e assim atrair cada vez mais novos investimentos e recursos para seguirmos progredindo.

Caso tenha interesse em saber mais sobre investimentos em agricultura na África seguem alguns link abaixo:

– Revivendo a agricultura em Moçambique:
http://www.bbc.co.uk/programmes/p0206v19

– A agropecuária pode ser trabalhada com sucesso na Etiópia?
http://www.bbc.com/news/business-30144473

– Projeto da UFPR realiza plantio de araucárias em Moçambique:
http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/projeto-da-ufpr-realiza-plantio-de-araucarias-em-mocambique/

– A agricultura é o “motor de crescimento” que a África precisa:
http://www.fao.org/news/story/pt/item/213672/icode/

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

 

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Sobre o Autor

Atua no mercado financeiro agropecuário desde 2007 como Operador de Commodities em corretoras nacionais e multinacionais. É profissional certificado pela ANCOR (Associação Nacional das Corretoras), pelo PQO (Programa de Qualificação Operacional) da BM&FBovespa e devidamente autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para atuar no mercado financeiro. Hoje, Sócio-proprietário da Priore Investimentos, presta serviços de consultoria financeira, operações de hedge no mercado de commodities agrícolas e câmbio. Saiba mais em: www.prioreinvestimentos.com.br

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