Por que as pesquisas de plantio direto devem ser padronizadas?

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O sistema plantio direto (SPD) tem sido uma das técnicas mais utilizadas na agricultura atual, devido ao seu potencial em proporcionar altos índices de produtividade aliado à conservação dos solos. No artigo “COP 21 o papel da agricultura brasileira no combate ao aquecimento global” comentei que a área de mais de 30 milhões de hectares sob plantio direto no Brasil é um pouco otimista demais, pois muitas dessas áreas mesmo não respeitando o princípios básicos do sistema, são denominadas plantio direto.

plantio direto evolução Brasil

Evolução do uso do plantio direto no Brasil. Fonte: FBPDP

Não somente na agricultura, mas também na pesquisa científica, o conceito de SPD tem sido muitas vezes utilizado para uma gama muito ampla de sistemas. O nome plantio direto tem sido atribuído a áreas que fazem uso de longos períodos de pousio, revolvimentos ocasionais do solo, uso de monocultivo, cobertura insuficiente, entre outros problemas. Essa falta de definição da técnica tem acarretado resultados amplamente contrastantes nas pesquisas. Diversos trabalhos em SPD consolidado de longa duração tem apontado a técnica como uma das principais estratégias para promover maior produção das culturas além da conservação dos solos. Porém, alguns trabalhos demonstrando menores índices produtivos em áreas sob SPD em comparação ao plantio convencional têm causado a descrença de muitas pessoas na eficiência da agricultura de conservação.

Processos erosivos tem sido frequentemente encontrados em áreas sob plantio direto devido ao mal uso das técnicas. Foto: Antonio Bodnar, EMATER/PR. Fonte: Embrapa Soja

Processos erosivos tem sido frequentemente encontrados em áreas sob plantio direto devido ao manejo inadequado. Foto: Antonio Bodnar, EMATER/PR. Fonte: Embrapa Soja

Segundo o conceito defendido pela FAO, o plantio direto deve respeitar três princípios básicos: perturbação mínima do solo, cobertura permanente e uso de rotação de culturas aliado ao manejo integrado de pragas e doenças. As técnicas a serem empregadas em áreas de SPD diferem em muitos aspectos das estratégias adotadas no sistema convencional, que inclui desde o manejo do solo até as medidas fitossanitárias a serem adotadas. Redução da produtividade das culturas em áreas sob SPD, dessa forma, pode ser devido ao uso incorreto do manejo do solo, do controle de pragas e doenças e do próprio manejo das culturas. É necessário que os autores se atentem a detalhes como a quantidade de tempo na qual o solo foi manejado sob plantio convencional. Uma área degradada manejada por longo tempo com revolvimento do solo levará muito mais tempo para se recuperar e apresentar bons índices produtivos.

Princípios básicos que regem o sistema plantio direto

Princípios básicos que regem o sistema plantio direto

Assim, dependendo de como a área é manejada, resultados de sequestro de carbono, infestação de plantas daninhas, fertilidade do solo, produtividade de culturas e vários outros podem variar amplamente. Até a comunidade científica concordar e reconhecer regras específicas para que um sistema seja considerado plantio direto, diversos resultados contrastantes e inconsistentes continuarão surgindo na literatura na comparação de sistemas de manejo do solo. Detalhes de como a área foi manejada ao longo do tempo, além de uma detalhada descrição das características do solo, poderão explicar melhor algumas discrepâncias encontradas.

O cumprimento dos princípios básicos que regem o sistema plantio direto garante a conservação dos solos e proporciona aumento da produtividade a longo prazo (Foto: Thiago Inagaki).

O cumprimento dos princípios básicos que regem o sistema plantio direto garante a conservação dos solos e proporciona aumento da produtividade a longo prazo (Foto: Thiago Inagaki).

Referências

DERPSCH, Rolf et al. Why do we need to standardize no-tillage research?. Soil and Tillage Research, v. 137, p. 16-22, 2014.

 

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* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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