Qual o potencial de sequestro de carbono do plantio direto?

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Agropro Qual o potencial de sequestro de carbono do plantio direto

O sistema plantio direto (SPD) tem se destacado como uma das principais estratégias da agricultura em promover a conservação dos solos e ao mesmo tempo proporcionar maiores produtividades para os agricultores.

No Brasil, atualmente mais de 30 milhões de hectares são cultivados sobre o sistema, fato que foi atingido através do esforço e atuação de inúmeros profissionais do meio agrícola. Uma das principais vantagens do SPD de qualidade é proporcionar a recuperação de áreas degradadas e promover o sequestro de carbono na agricultura.

Muitas áreas de cultivo sob o sistema no Brasil têm demonstrado grandes potenciais para a proteção da matéria orgânica. Mas quão eficiente pode ser esse sistema? A seguir falaremos brevemente sobre o potencial do SPD em promover o sequestro de carbono.

Agropro Qual o potencial de sequestro de carbono do plantio direto

Sistema plantio direto tem se destacado como uma das principais estratégias para promover o sequestro de carbono e o aumento de produtividade das culturas. Foto: Thiago M. Inagaki

O sequestro de carbono e a recuperação de áreas degradadas

No início da agricultura brasileira, o plantio convencional com aração e gradagem era o sistema predominante. Dessa forma, muitas áreas sofreram com a degradação dos solos e problemas de erosão se tornaram constantes na rotina do produtor rural, muitas vezes até mesmo inviabilizando sua atividade. Com o desenvolvimento do SPD, muitas dessas áreas puderam ser recuperadas, ganhando novamente os estoques de C do solo perdidos pela conversão da vegetação nativa para cultivo agrícola convencional.  

Como podemos observar no trabalho desenvolvido por Sá et al. (2014), através da adoção do SPD associado a sistemas de rotação de culturas diversificados, foi possível proporcionar o sequestro de carbono elevando os estoques de 10,1 até 31 Mg ha-1 em aproximadamente 21 anos de cultivo.

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Mudança dos estoques de carbono (Mg C ha-1) na camada 0-40 cm sobre vegetação nativa (NV), antes do estabelecimento do experimento em 1989 (PE), plantio convencional (CT), plantio mínimo (MT), plantio direto escarificado (NTch) e plantio direto continuo (Cnt). ΔSOC = Cnt – CT, refere-se a diferença entre o estoque de C do Cnt e do CT em 2005. Fonte: Adaptado de SÁ, et. al. (2014).

O SPD é capaz de superar os estoques de uma vegetação nativa?

Fazer com que sistemas de produção agrícola superem os estoques de C de vegetações naturais pode parecer um cenário utópico, mas já e realidade em áreas de plantio sustentável de longo prazo.

No trabalho desenvolvido por de Oliveira Ferreira et al. (2016), avaliando diversas áreas de SPD de longo prazo na região do Rio Grande do Sul, os autores demonstraram que as áreas com rotações de culturas diversificadas (Site 2 a 6) foram capazes de promover a recuperação de 100% do estoque de C da vegetação nativa, e até mesmo a superando em recuperações de até 116% (Site 4), demonstrando dessa forma, o potencial de sequestro de carbono do plantio direto.

Agropro Qual o potencial de sequestro de carbono do plantio direto

Ganhos e perdas de estoques de C de acordo com o manejo do solo no decorrer do tempo. Fonte: de Oliveira Ferreira et al. (2016)

Plantio direto de qualidade é essencial

Cumprir os requisitos básicos do SPD é fundamental para proporcionar o sequestro de carbono do solo. Todas as áreas demonstrando recuperações significativas dos estoques possuem rotação de cultura diversificada, ausência de revolvimento do solo e manutenção de cobertura permanente. A realização de um plantio direto de qualidade ainda é realidade distante em grande parte das áreas agrícolas no Brasil. Porém, com a atuação e empenho de diversos profissionais podemos proporcionar ao longo do tempo uma produção de alimentos sustentável e lucrativa, como vem sendo mostrado em diversas áreas referência em SPD.

E você, sabe mais como a agricultura de conservação pode ajudar na sua produção agrícola? Compartilhe seus conhecimentos conosco.

Referências

de Oliveira Ferreira, A., Amado, T., Rice, C.W., Diaz, D.A.R., Keller, C., Inagaki, T.M., 2016. Can no-till grain production restore soil organic carbon to levels natural grass in a subtropical Oxisol? Agriculture, Ecosystems & Environment 229, 13-20.

Sá, J.C.d.M., Tivet, F., Lal, R., Briedis, C., Hartman, D.C., dos Santos, J.Z., dos Santos, J.B., 2014. Long-term tillage systems impacts on soil C dynamics, soil resilience and agronomic productivity of a Brazilian Oxisol. Soil and Tillage Research 136, 38-50.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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