Quanto custam as perdas e o desperdício de alimentos para a agricultura?

0
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Agropro Quanto custam as perdas e o desperdício de alimentos para a agricultura

Perdas na agricultura e o desperdício de alimentos. Você sabe quanto esta soma significa para agricultura? Difícil mensurar. Mas algumas publicações mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) nos ajudam a dimensionar o tamanho do problema. E seus custos.

Vamos começar diferenciando as perdas do desperdício. As perdas acontecem ainda nas propriedades rurais, do cultivo à distribuição. O desperdício é visto nas fases que envolvem o varejo e o consumidor final. Os termos, segundo especialistas, são diferenciados conforme a maneira como acontece o “descarte”. De maneira involuntária seriam as perdas, já a forma voluntária é caracterizada como desperdício.

Os termos podem ser diferenciados, mas é fato que a perda ou desperdício de alimentos resulta em um mesmo fator. Mais pessoas poderiam ser alimentadas. E na agricultura o que isso significa? Voltamos aos termos. Significa uma “perda” imensa aos produtores.

Estudos divulgados pela FAO apontam que 1/3 da produção global de alimentos é perdida ou desperdiçada. São 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados ao ano, o que significa U$ 750 bilhões jogados fora. Essa soma resulta em um alarmante fator social. Todas as pessoas que sofrem algum tipo de insegurança alimentar no mundo – ou seja 22,6% da população – poderiam ser alimentadas.

Segurança alimentar e agricultura sustentável

As perdas na agricultura e o desperdício de alimentos sempre aconteceram, mas a discussão sobre os temas é recente. A segurança alimentar e a agricultura sustentável vêm fomentando debates e soluções para diminuir tamanha discrepância.

A agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) contribuiu para os debates na sociedade civil. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) preveem o desperdício zero. O Objetivo 2 – eles somam 17 – pretende “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável”.

É um objetivo arrojado, mas que está começando a ser vislumbrado. Vale lembrar que todos os países da ONU adotaram a Agenda 2030 pelo Desenvolvimento Sustentável. E para isso organizações e instituições mundiais estão propondo soluções, como a diminuição das perdas na agricultura e do desperdício.

É o caso do projeto “Save Food” lançado pela FAO e parceiros em 2013. No Brasil, o Senac, com o Mesa Brasil, realiza um trabalho importante de coleta e redistribuição do alimento que seria desperdiçado.

Quais os principais fatores das perdas na Agricultura?

As práticas para diminuir as perdas na agricultura e o desperdício de alimentos estão acontecendo, mas vamos aos fatores que levam a isso. O estudo da FAO aponta que enquanto os países desenvolvidos sofrem mais com o desperdício, nas etapas finais da produção de alimentos por meio do consumidor, nos países subdesenvolvidos se percebe mais as perdas, aquelas vistas nas propriedades produtivas.

Isso se daria devido à logística dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento ser dificultada, e aos consumidores finais. Estes mais suscetíveis à insegurança alimentar não teriam o desperdício como prática comum. Mas o Brasil é um caso a parte no estudo, onde se percebe altas perdas e também um grande desperdício, como os verificados em países desenvolvidos.

Conforme especialistas, as perdas na agricultura podem ser computadas desde o plantio das culturas. Isso devido às condições inadequadas do clima e do solo e também ao plantio em épocas inadequadas.

Um solo sem correção, a falta de irrigação ou até mesmo o excesso de chuvas podem contribuir com as perdas. Uma colheita que poderia ser favorável pode vir a ser negativa nesses casos.

Aí começa o ciclo. Isso porque as perdas na agricultura terão continuidade na colheita, no preparo e no escoamento dos alimentos. Colheita manual ou mecanizada. As duas podem resultar em prejuízos para os produtores, se realizadas de maneira inadequada.

Ainda nas propriedades, a perda pode ser verificada quando se é exigido determinados padrões para o seu comércio. Se o produto não atinge o padrão estético desejado ele é descartado.

Após a colheita, o manuseio dos produtos. A busca da solução para esse problema é por meio da capacitação dos trabalhadores que traria uma maior eficiência. Com um manuseio incorreto, os alimentos ficam mais suscetíveis à podridão, isso antes do tempo que seria considerado como natural.

O preparo dos produtos também é apontado como fator que contribui para o aumento das perdas. Um exemplo são as hortaliças, um dos produtos mais prejudicados. Seu baixo valor no comércio não permite um maior investimento em embalagens, por exemplo. As frutas já passaram por esse processo e estão sendo melhor acondicionadas para o transporte.

Até aqui tratamos somente das perdas na agricultura verificadas com o produto final. Os produtores podem somar a isso prejuízos com insumos, energia, água, mão de obra. Enfim, uma infinidade de fatores que eles necessitam para se chegar a este produto.

Para fazer essa conta, a dos custos, voltamos ao dado apontado pela FAO. 1/3 da produção global de alimentos é perdida ou desperdiçada. Então, pode-se dizer que o mesmo 1/3 do que o produtor investe em sua produção é ‘perdido’.

E o desperdício

O desperdício é visto diariamente nas casas e também nos locais de comércio. O mau acondicionamento em mercados e feiras – e também nas residências dos consumidores finais – e o descarte de sobras são práticas comuns. Mas que poderiam alimentar milhares de pessoas.

A pesquisa divulgada pela FAO em fevereiro deste ano aponta que o desperdício dos Estados Unidos e da Europa poderiam alimentar 800 milhões de pessoas.

A seguir listamos o desperdício por grupos de alimentos:

  • 25% de cereais;
  • 40% de raízes e tubérculos;
  • 20% de oleaginosas e legumes;
  • 55% das frutas e hortaliças;
  • 20% das carnes;
  • 20% dos produtos lácteos;
  • 33% de pescados e mariscos.

Podemos perceber que as perdas na agricultura e o desperdício de alimentos são vistos em toda a cadeia produtiva. Os enormes prejuízos econômicos, sociais e ambientais não podem ser colocados somente na conta do consumidor, por exemplo.

É toda uma cadeia, que deveria ser modificada não somente quanto às práticas adotadas, mas sim na cultura de toda a população: dos produtores ao consumidor final. E em sua propriedade, quais as práticas que estão sendo adotadas para evitar as perdas? Compartilhe conosco em nosso blog.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×

Sobre o Autor

AgroPro

Comentários no Facebook