Como escolher sua semeadora de plantio direto – parte 2

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Como prometi, hoje volto com a continuação da postagem anterior, sobre Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto. Pra quem não acessou a primeira parte é só clicar aqui >>> Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto – Parte 1.

Vamos a segunda parte:

José Heloir Denardin do CNPT/EMBRAPA conta que em 1993 havia 300 mil hectares do SPD no planalto do RS e a MONSANTO queria incentivar a expansão. Concluíram que faltava capacitação técnica, assim, elaborou-se um projeto com a MONSANTO financiando as atividades. Trouxeram para treinamento a cada seis meses um grupo de 250 extensionistas, onde eram ministrados cursos por três dias. “Nossa diretoria não aceitou o financiamento de somente uma empresa, aí criamos o projeto METAS de MONSANTO, EMBRAPA e EMATER, ADUBOS TREVO, AGROCERES e SEMEATO. Coordenávamos tecnicamente o projeto e as empresas pagavam tudo e organizavam toda a logística. As empresas não podiam falar em marca e a logística foi perfeita”.

A meta era passar de 50 a 150 mil hectares, o que deu grande discussão na EMBRAPA. No quarto ano chegou-se a 850 mil. Os pesquisadores de solos traziam novidades que eram incorporadas nos treinamentos. No primeiro treinamento somente os instrutores falavam, mas a partir do segundo começou a interação com os técnicos e o crescimento foi fantástico.

No final da década de 80 a equipe do Evandro Chartuni Mantovani da CNPMS/EMBRAPA em Sete Lagoas-MG, iniciou testes de semeadoras convencionais, realizando pontuações comparativamente entre as mesmas. Portella, Faganello e Arsênio do CNPT/EMBRAPA estiveram lá para aprender a metodologia e implantar em Passo Fundo os testes das semeadoras de plantio direto.

“Nós conhecíamos os problemas das máquinas, cita Portella, como as limitações dos discos de corte, facão, estrutura, entre outros, mas desejávamos que os fabricantes vissem o desbanner_260x400_blog_2empenho de sua máquina ao lado do concorrente, sob uma metodologia científica. Foi um grande intercâmbio de ideias. Esses resultados não foram publicados, pois tivemos o pecado de fazer um contrato com as empresas de não publica-los”. Considera Portella, que a qualidade de nossas máquinas hoje (2007) é boa, tanto é que o Brasil está exportando. Diferem mais na assistência técnica e preço, que considera muito importante. Foram 10 anos de contribuições que a EMBRAPA e IAPAR ofereceram nas avaliações e trocas de experiências entre as indústrias, pesquisa, assistência técnica e produtores. Ocorrendo exatamente no período onde a adoção do SPD cresceu de 1milhão de hectares para 25 milhões no Brasil.

O IAPAR realizou várias avaliações desde 1996 até 2003, testando em torno de 100 modelos de semeadoras de precisão, fluxo contínuo e multissemeadora (Fig. 7a). Nesses trabalhos foram identificados as características positivas e negativas das máquinas. A partir disto vários estudos foram feitos no sentido de otimizar os componentes, como foi o das hastes sulcadoras, visando a redução da exigência de potência e menor mobilização de solo no sulco, o que foi adotado por vários fabricantes.

 

Vários fabricantes participaram desses estudos interagindo com os pesquisadores e técnicos da equipe. No final dos anos 90 e início do II milênio o IAPAR passou a organizar eventos de avaliação de máquinas e demonstração dinâmica (Fig. 7b) para os produtores com apoio da ITAIPU BINACIONAL. Participaram desses trabalhos a BALDAN, FANKHAUSER, GIHAL, IMASA, JOHN DEERE, JUMIL, KÜLZER & KLIEMAN, MARCHESAN, MAX, METASA, MORGENSTERN, PLANTICENTER, SFIL e VENCE TUDO. A CASE só não participou em Guairá, pois, sua máquina não era adequada para trabalhar cruzando terraços. As máquinas eram avaliadas com 30 dias de antecedência e no dia da exposição dinâmica os resultados eram apresentados em tabelas expostas no campo, publicados e distribuídos aos participantes.

Figura 7 a equipe AEA

Figura 7a – Equipe da AEA/IAPAR. Da esquerda: Ruy, Alexandre, Milton, Audilei, Rubens, José Carlos e Augusto.

Figura 7b –Dinâmica

Figura 7b –Dinâmica de Semeadoras de plantio direto em Guairá, PR, 2003.

O projeto com a ITAIPU BINACIONAL teve seu início em 1996. Levantamentos da EMATER (1996) mostravam que somente 13,4% dos produtores adotavam o SPD na época e era prioridade da Usina minimizar o escorrimento de sedimentos para o lago da represa. Elaborou-se um diagnóstico que foi realizado em 1997 nos municípios lindeiros a represa para conhecer todos os problemas associados ao SPD.

O projeto foi implantado em 1999, onde a região já havia adotado 90% do SPD e a estratégia foi de melhorar a qualidade do SPD. Foi conduzido nesta estratégia por cinco anos por equipe multidisciplinar do IAPAR (Figura 8), interagindo diretamente com os produtores de referência, técnicos da Itaipu, cooperativas, prefeituras, EMATER entre outros. Foram realizados muitos cursos, Dias de Campo, reuniões, quatro Dinâmica de Máquinas, produção e distribuição de sementes de plantas de cobertura.

Figura 8 – Alguns

Figura 8 – Alguns dos pesquisadores do IAPAR e técnico regional em projetos de SPD. Da esquerda Garibaldi Medeiros, Neri Noro (agrônomo da LAR) José Garcia Sá, Osmar Muzilli e Ademir Calegari.

Neste período ocorria a expansão de grandes lavouras nos solos planos do Cerrado que gerou a necessidade de máquinas com maior número de linhas, ou unidades de semeadura (Fig. 9). No sul do Brasil os modelos mais comuns tinham, predominantemente, de 7 a 9 linhas, sendo que no cerrado variavam de 11 a 19 linhas, existindo modelos com 29 linhas espaçadas a 45 cm. A autonomia principalmente do depósito de fertilizante que permitia a máquina semear em torno de 10 km aumentou para 20 a 30 km, elevando o peso da máquina e, consequentemente, a exigência de potência e a mobilização do solo.

Destaca-se que no Cerrado, salvo exceções, os solos são mais leves que os argilosos do sul do país e, em muitas propriedades de médio e grande porte do sul, as semeadoras de precisão seguiram também a tendência das do Cerrado, aumentando o número de linhas e a autonomia dos depósitos de fertilizante.

Figura 9 colheita

Figura 9 – Colheita e semeadura simultânea no cerrado brasileira.

A exigência de força e potência para tracionar uma semeadora depende do projeto dos componentes de ataque ao solo, em especial das hastes sulcadoras, do peso da máquina e o número, peso e área de componentes em contato com o solo. A figura 10 mostra que com o aumento do peso das semeadoras, há tendência de aumento da potência exigida. Este estudo foi realizado com os parâmetros obtidos em várias avaliações realizadas pelo IAPAR (CASÃO JUNIOR & SIQUEIRA, 2006).

Da análise dos catálogos de nove fabricantes líderes de semeadoras comercializadas e 2007 para as médias e grandes propriedades brasileiras, nota-se que o peso da máquina vazia por linha varia de 294 a 778 kg. Essas máquinas variam de 7 a 24 linhas espaçadas de 45 cm, sendo que quase todos os fabricantes possuem modelos mais leves e outros mais pesados.

figura 10

Figura 10 – Efeito do peso por linha e a potência específica (cv/cm de profundidade e linha) exigida por semeadoras de precisão em plantio direto avaliadas pelo IAPAR.

A escolha entre o uso dos discos ou as hastes sulcadoras como abridor de sulco para fertilizante, depende de vários fatores. Geralmente, ficam logo atrás do disco de corte (Fig. 11) e devem abrir o sulco para a deposição do fertilizante. Os discos podem ser duplos e desencontrados, ou simples. Neste caso, também faz o papel do disco de corte.

figura 11

Figura 11 – Disco duplo desencontrado atrás do disco de corte.

Recomenda-se utilizar os discos em solos com menor resistência, como os não argilosos e sem adensamento superficial. Os discos exigem menos potência que as hastes sulcadoras, destroem menos a palha e, de modo geral, permitem que se trabalhe a velocidades superiores a 6 km/h. No entanto, quando não conseguem abrir adequadamente o sulco, podem prejudicar a implantação das sementes, semeando muito raso, junto ao fertilizante e, em consequência, prejudicar a germinação.

Hoje, quase todas as semeadoras de precisão (plantadeiras) possuem a opção de trabalho com discos ou com hastes sulcadoras (Fig. 12a). As hastes, apesar de exigirem maior potência, permitem regular a profundidade do sulco, depositar o fertilizante abaixo das sementes e oferecer um ambiente mais adequado para a germinação das sementes. O IAPAR recomenda hastes estreitas, com largura da ponteira não superior a 22 mm, um ângulo de ataque da ponteira de 200 e um desenho parabólico (Fig. 12b). Hastes com essas características exigem menos esforço e potência para tração, mobilizam menos o solo, destroem menos a palha e têm um componente de força vertical para baixo, que puxa a máquina em direção do solo, reduzindo as necessidades de maior peso da semeadora e maior pressão nas molas.

figura 12a

Figura 12a – Abridores de sulco para fertilizante tipo discos duplos desencontrados ou hastes sulcadoras.

figura 12b

Figura 12b – Haste sulcadora reta com ponteira larga e haste proposta pelo IAPAR com 200 de ângulo de ataque.

Após o trabalho dos rompedores de solo, inicia a atuação dos componentes de acabamento de semeadura. A deposição das sementes, geralmente feita no interior do disco duplo, deve permanecer na profundidade desejada, a distâncias uniformes, recobertas com solo e palha sobre o sulco. Da mesma forma, as sementes devem estar em íntimo contato com as partículas de solo para que absorvam água com facilidade, sem ocorrência de bolsões de ar e crostas formadas pelo selamento da superfície do solo. Esta é a fase que chamamos de acabamento de semeadura. Em primeiro lugar, o que se deseja é que a palha existente sobre a superfície do solo permaneça sobre o mesmo após a passagem da “plantadeira”, ou seja, o “plantio direto invisível”, sendo que muitos sabem dos benefícios dessa palha e das pesquisas já realizadas com plantas de cobertura. A figura 13 mostra no RS a semeadora Premium da VENCE TUDO trabalhando sobre grande quantidade de palha sobre o solo implantando a soja no conceito “plantio direto invisível”.

figura 13

Figura 13 – Semeadora de precisão Premium da VENCE TUDO.

Hoje, fico por aqui. Volto em breve com novas informações e aprofundamentos, na terceira parte.

 

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* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Doutor em Eng. Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas. Foi pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), consultor em projetos do IAPAR e outras empresas. Trabalhou como pesquisador em fitotecnia, como coordenador de fazenda experimental e 22 anos como pesquisador em máquinas agrícolas. Foi diretor técnico e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio, consultor da FAO em países da África e Ásia.

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