Como escolher sua semeadora de plantio direto – parte 3

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Continuando com nosso artigo, agora vamos à Parte III, sobre Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto. Para quem não conseguiu ler a Parte II é só clicar aqui >>> Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto – Parte 2 (lá você vai poder encontrar, também, o link para à Parte I).

A maioria das “plantadeiras” existentes no mercado nacional não possuem componentes aterradores especializados. O que predomina são máquinas com discos duplos desencontrados para abertura de sulco e com rodas paralelas de controle de profundidade para sementes, sendo as mais modernas oscilantes, seguidas de uma roda compactadora em “V”, com possibilidade de alterar sua abertura frontal e vertical, mas não conseguem retornar principalmente a palha de volta ao sulco. Nos últimos anos (2003) têm surgido mais fabricantes preocupados com esses componentes. A melhor alternativa para chegamento de solo e palha ao sulco são os discos aterradores muito usados no passado no sistema de semeadura convencional. Quatro fabricantes usam em suas “plantadeiras”.

Outra alternativa utilizada por seis fabricantes, são as rodas aterradoras de formato cônico e inclinadas 200 a 250 em relação à direção de deslocamento da máquina. Podem ser de ferro fundido, estampado ou recobertas com borracha. Outros fabricantes têm o componente, mas a regulagem de abertura não é muito superior a 100 (CASÃO JUNIOR & SIQUEIRA, 2006).

 

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Após o aterramento há necessidade de que ocorra uma compactação do solo sobre as sementes, para que estas absorvam água com mais facilidade. São as rodas compactadoras as responsáveis por esta tarefa. Existem vários modelos no mercado, que devem evitar que ocorram bolsões de ar e selamento superficial sobre o terreno. A figura 14 pode-se observar algumas opções de rodas compactadoras na multissemeadora Multipla da JUMIL.

O sistema de distribuição de sementes das semeadoras nacionais, predominante em 2007, era o mecânico, com discos alveolados, mas o sistema pneumático encontrava-se em expansão, considerando que promove distribuição mais uniforme de sementes em velocidades superiores a 8 km/h. O entrave para a expansão do sistema pneumático encontra-se no maior preço, e na dificuldade da semeadora trabalhar adequadamente a velocidades superiores a 6 km/h, cortando a palha, abrindo e fechando o sulco com a deposição adequada de fertilizante e sementes com posterior acabamento da semeadura.

O catálogo de preços de uma importante empresa de máquinas semeadoras mostrava em 2007 que os modelos pneumáticos eram 20% mais caros do que os modelos de distribuição de sementes mecânicos. A título de exemplo, a variação de preços das semeadoras para médios e grandes produtores de duas outras indústrias é de R$ 6.180,00 e R$ 7.049,00 por linha, nos modelos mais baratos e R$ 16.324,00 por linha no modelo mais caros, de ambas.

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Figura 14 – Multissemeadora Múltipla da JUMIL na versão em fluxo contínuo a esquerda e em precisão a direita, apresentando rodas de controle de profundidade de sementes inclinadas e três tipos de rodas compactadoras.

Portella da EMBRAPA conta que “a JUMIL foi a primeira a trazer o sistema pneumático com o modelo Francês da MONOSSEN (Fig. 15a). A máquina foi avaliada em 1995 e 96, e a partir daí as outras indústrias cresceram o olho e foram introduzindo os sistemas da Accord, Becker, e Gaspardo”.

Paulo Montagner da KUHN/METASA cita em 2007 que “nos países onde há boa classificação de sementes por peneiras, o sistema mecânico é tão eficiente quanto o a vácuo, com a vantagem que qualquer operador de máquinas consegue trocar e fazer a manutenção na fazenda. O sistema pneumático é importante quando não há classificação por peneiras. O principal mercado para as máquinas pneumáticas está no Norte, com a cultura de algodão cujas sementes não tem boa uniformidade. Outra cultura é o girassol, mas tem pouca expressão ainda. A fábrica está trabalhando com uma empresa para viabilizar a semeadura de mamona, canola e girassol, com envolvimento da EMATER, pois o interesse pelo biodiesel é crescente” (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

 

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Portella conta que a “MARCHESAN trouxe o primeiro distribuidor de fertilizante com rosca sem fim. Foi uma briga nas avaliações realizadas pela EMBRAPA de 1993 a 1997, sendo que as outras empresas não queriam que o teste fosse realizado. Dois anos depois, todas introduziram este dispositivo em suas máquinas. Não havia problemas de cópias e nem preocupação excessiva com patente dos produtos. Havendo grande troca de experiências e copia entre os fabricantes. Argumenta que se não fosse isso, na época, não seria possível dar o grande salto de qualidade que houve” (CASÃO JUNIOR et al, 2008). Hoje os cuidados com a propriedade intelectual são maiores.

O dispositivo mais usado hoje é o de rosca sem fim, os quais estão em constante aperfeiçoamento para não somente melhorar a uniformidade de distribuição, como também, facilitar sua manutenção e durabilidade (CASÃO JUNIOR, 2006). Um exemplo dos mais recentes é o surgimento do dosador da FERTISYSTEM usado por vários fabricantes (Fig 15b).

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Figura 15a – Sistema de distribuição pneumático de sementes JUMIL.

 

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Figura 15b – Sistema de distribuição de fertilizante FERTISYSTEM.

As indústrias que estavam mais presentes com semeadoras de plantio direto no início da década de 90 eram a SEMEATO, IMASA, FANKHAUSER, VENCE TUDO, JUMIL, MARCHESAN e BALDAN, além de algumas que desapareceram. Mais para o final da década surgiram a JOHN DEERE, SFIL, MAX, METASA e KULZER & KLIEMANN, no início dos anos 2000 a PLANTICENTER, GIHAL, CASE, MORGENSTERN. No final da década de 2000 surgiram semeadoras na STARA, a KUHN que adquiriu a METASA, a AGCO que adquiriu a SFIL, a KF, além das indústrias de equipamentos a tração animal que passaram a entrar no mercado de semeadoras mecanizadas, como a FITARELLI, KNAPIK, NSMAFRENSE e WERNER.  Recentemente a SEMEATO associou-se a NEW HOLAND.

As semeadoras foram aperfeiçoadas em vários componentes e sistemas. O sistema de acoplamento hoje é prático e robusto, sendo que há 10 anos era necessário, em algumas máquinas, mudar a posição de vários parafusos. O sistema de transmissão melhorou, sendo que a troca de engrenagens, que era morosa, passou a ser rápida com caixa de câmbio, e a BALDAN, que usa o sistema Speed Box, o qual é bem compacto, com grande amplitude na relação de transmissão e ajuste prático (CASÃO JUNIOR & SIQUEIRA, 2006).

Um ponto muito importante que alguns fabricantes estão dando atenção, é a facilidade de manutenção da máquina. Ainda predomina em algumas semeadoras, mancais com graxeiras, ao passo que em outras são utilizados mancais blindados e grafitados. É comum encontrar até treze pontos de lubrificação em uma linha da máquina, ao passo que existem máquinas com somente um ponto de lubrificação por linha. Há máquinas de 10 linhas com mais de duzentos pontos de lubrificação. Existem dispositivos de distribuição de fertilizante com até três graxeiras e outros que estão eliminando-as.

Os fabricantes de máquinas agrícolas estão desenvolvendo e introduzindo nas semeadoras, vários componentes com facilidade de regulagem. Os discos de corte, que no passado somente tinham como opção a variação da pressão das molas, hoje podem ser posicionados em diferentes alturas. O mesmo ocorre com as hastes sulcadoras e a regulagem prática da posição dos discos duplos para deposição de sementes e das rodas compactadoras (CASÃO JUNIOR, 2006).

 

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A maior dificuldade de regular hoje uma semeadora de precisão é na mudança de espaçamento entre linhas. É muito trabalhoso deslocar as unidades de semeadura na barra porta ferramenta da máquina. Se isto fosse possível, o produtor poderia alterar o espaçamento de soja de 45 cm para 40 cm em função de sua necessidade. Semear o milho a 80 cm e a soja a 45 cm. Poderia haver até a possibilidade de semear plantas de cobertura intercalar ao milho ou sorgo projetando as máquinas para esta finalidade. Eduir da IMASA cita que “a Plantec é uma multissemeadora que traz como novidade a possibilidade de deslocar as linhas na barra porta ferramenta sem a necessidade de desparafusa-las. Assim a transformação de sementes graúdas em miúdas é obtida com praticamente o movimento rotativo de um eixo. Além disso, pode posicionar o adubo ao lado das sementes, pode semear até três tipos de sementes ao mesmo tempo” (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

Alguns produtores inovadores têm a intenção de semear sementes de pastagens no interior da soja, integrando a lavoura com a pecuária. Para projetar esta máquina há necessidade de que as unidades de semeadura possam ser posicionadas em diferentes locais da barra porta ferramenta com facilidade. Considera-se que o plantio de Brachiaria ruziziensis entre as linhas de milho safra ou safrinha já é prática disseminada entre produtores, para integração com pecuária ou para somente produzir mais palha como cobertura. A dificuldade é ter máquina apropriada para semear as sementes de pastagem com discos duplos intercalar as linhas de milho. Muitas multissemeadoras podem realizar este tipo de semeadura sendo que alguns fabricantes já desenvolveram máquina específica para isso (Fig. 16a), no entanto reclamam que têm pouca saída. Outros produtores estão adaptando kit de distribuição de sementes de pastagem em “plantadeiras” Fig. 16b), mas reclamam que a germinação é muito prejudicada pelo fato das sementes caírem a lanço sobre o solo. Hoje já existem fabricantes, como a PICETTI, que, oferece kits para distribuição de sementes de pastagem que podem ser adaptadas em semeadoras e outros equipamentos existentes no mercado.

 

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Figura 16a – Semeadora da SEMEATO com duas linhas para semear sementes miúdas intercalares ao milho.

 

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Figura 16b – Semeadora PAR com kit de sementes miúdas na propriedade de Mateus Arantes em Três Lagoas, MS.

Hoje, fico por aqui. Volto em breve com novas informações e aprofundamentos, na quarta parte.

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Doutor em Eng. Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas. Foi pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), consultor em projetos do IAPAR e outras empresas. Trabalhou como pesquisador em fitotecnia, como coordenador de fazenda experimental e 22 anos como pesquisador em máquinas agrícolas. Foi diretor técnico e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio, consultor da FAO em países da África e Ásia.

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