Como escolher sua semeadora de plantio direto – parte 5

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Continuando com minha série de postagens sobre COMO ESCOLHER SUA SEMEADORA DE PLANTIO DIRETO, agora vamos à Parte 5. Para quem não conseguiu ler a Parte 4 é só clicar aqui >>> Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto – Parte 4 

Expansão do sistema plantio direto consolidado

A consolidação do SPD deu-se a partir de 1992 (Fig. 17), quando ocorreu sua grande expansão não somente no Sul do Brasil, como no Cerrado (Fig. 18 e 19) e, ultimamente nas novas fronteiras agrícolas da região Amazônica e na denominada Matopiba, ocupando áreas, predominantemente, do Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Bastos Filho et al, 2007 citam que na avaliação dos principais polos de produção do país (198 municípios de 13 estados) observaram que a cobertura média do solo com palha após a colheita das lavouras de soja e milho foi em média 33%, chegando a média de 50% na região Sul do país e 28% em média nos estados SP, MS, MT, GO e Norte do PR. Esta realidade que ainda permanece no país, define o projeto das semeadoras, principalmente quanto aos componentes de acabamento de semeadura, pois com pouca palha, não há muita necessidade de bons aterradores.

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Figura 17 – Evolução do sistema plantio direto no Brasil (1973 a 2012). Fonte FEBRAPDP e CONAB 2012. Dados de 2008 a 2011 foram estimados por interpolação.

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Figura 18 – Evolução da cultura de soja no Brasil nos anos 1977 e 2002. Fonte: IBGE PAM 2002.

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Figura 19 – Ocupação da cultura de milho safra de verão e inverno no Brasil em 2012. Fonte: MAPA 2015.

Nos anos 90, cita Paulo Montagner, que surgiu na SEMEATO a Linha 90, que conseguiu trabalhar em solos argilosos sem embuchamento. Conseguiram isso com a transformação de uma máquina da JOHN DEERE, a Maximerg 2, mas no início não funcionava. As primeiras 50 máquinas foram vendidas no Paraná em região cujo solo se assemelhava aos americanos, mas em Cruz Alta (RS) com mais de 60% de argila não funcionou. Conta que uma vez, foram atender um produtor e quando chegaram pediu para prender os cachorros, pois se urinassem na plantadeira essa embucharia. Tomou aquilo como um desafio, voltando com a solução três a quatro meses depois. Substituíram na linha de plantio a disposição do sulcador, limitador de profundidade e compactador. Aquilo foi um marco e ficou na época a TD para grãos finos, PAR, PSE e PSM. Em Pato Branco (PR) foram vendidas 250 máquinas e não penetravam no solo argiloso quando este estava com umidade menor. Tiveram que transformar todas elas nas propriedades. Com isto identificaram o padrão de resistência do solo limitante para usar os discos duplos desencontrados ou as hastes sulcadoras (CASÃO JUNIOR et al, 2008 e CASÃO JUNIOR et al, 2012).

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Ruben Witt do Oeste do Paraná, citou na sua visão de revendedor que o crescimento das vendas de máquinas para o SPD em soja foi de 1993 a 1998 e decresceu após 2000 no oeste do Paraná.  A fronteira no estado tinha acabado e as vendas eram quase que exclusivamente de reposição da frota. A partir de 1997 apareceram na região os modelos PST2 da MARCHESAN (Figura 20), Magnum 2800 da JUMIL, PPsolo da BALDAN (Figura 21), PSE8 da SEMEATO e PDM da METASA. A PLANTICENTER surgiu depois. O sistema de rosca sem fim surgiu a partir de 1995, e o sistema de câmbio em 1999. Surgiu também a articulação dos rodados e o disco de corte ficou mais próximo do facão. Observou que no SPD já se observava maior infiltração de água no solo (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

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Figura 20 – Semeadora PST2 da MARCCHESAN.

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Figura 21 – Semeadora Psolo da BALDAN.

Havia dificuldade para crédito de investimento nos anos 80 até o início dos anos 90, principalmente pelas taxas de juros flutuantes. Somente quando os juros passaram a ser pré-fixados, a partir de 1993 é que acelerou as vendas de máquinas. O sistema de crédito FINAME foi o precursor cobrando de 10% a 12% de taxa fixa. Os produtores foram aderindo de forma crescente. Aí surgiram outras modalidades de crédito, como o PRONAF e PROGER com taxas de até 2% ao ano.

Eduir Pretto do Amaral, gerente de projeto da IMASA disse que a fábrica sempre trabalhou em cima das multissemeadoras, mas em função da queda da produção do trigo, o mercado comprava quase que exclusivamente semeadoras de precisão, quando desenvolveram a Plantum. Depois dessa, a fábrica desenvolveu a Technum que vendeu pouco por ser uma máquina “conceito”. Destaca que foi a primeira a ser produzida com corte laser, que facilita a construção de qualquer desenho e viabiliza a fabricação de lotes menores de máquinas. Além disso, permite a redução do uso de peças fundidas. A Plantec também de fabricação recente, é uma multissemeadora que traz como novidade a possibilidade de deslocar as linhas na barra porta ferramenta sem a necessidade de desparafusa-las. Assim a transformação de sementes graúdas em miúdas é obtida com praticamente o movimento rotativo de um eixo. Além disso, pode posicionar o adubo ao lado das sementes, pode semear até três tipos de sementes ao mesmo tempo.

Destaca Eduir que esses novos lançamentos foram feitos em plena crise de 2005 e 2006, procurando novos mercados e atendendo as especificidades de diferentes regiões. Outra estratégia foi o investimento na reposição de máquinas, abertura de novas fronteiras e até a reforma de máquinas. O esforço dedicado nessas máquinas “conceito” permitiu transferir muitos componentes para máquinas mais simples, melhorando a qualidade das mesmas e atendendo outros mercados, surgindo assim novos modelos. Recomenda que os fabricantes invistam no projeto, mesmo que fique engavetado, pois seu custo é muito baixo em relação aos benefícios que pode promover na criação constante na fábrica. Hoje o público está exigindo que a semeadora tenha maior capacidade de corte da palhada, que enterre as sementes com mínima de mobilização do solo e mantenha o sulco coberto com palha após a passagem da semeadora e, finalizou: a IMASA tem 35 anos de experiência em plantio direto (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

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Carmen Galli da SEMEATO assegurou que o Brasil é o grande laboratório da empresa e que sempre está ampliando seu mercado de atuação. Das máquinas pioneiras como a TD, PAR e PS surgiram uma infinidade de filhotes. A caixa de pastagem, por exemplo, surgiu de uma demanda do Uruguai. Na Bolívia, onde os solos são férteis, não é utilizado o fertilizante, criaram as máquinas que somente semeiam. No Chile com solos ricos em minério, foi necessário criar discos mais resistentes ao desgaste. Na Europa existem regiões com muitas pedras, enfim, quanto mais foi sendo ampliado o mercado, mais filhotes foram sendo criados.

No Centro Oeste do país, onde são necessárias máquinas maiores, nasceu a linha PF, como é o caso da Land Máster, que é a mistura da PS Máster com a PS e PAR na versão das semeadoras de precisão e da TD na versão das semeadoras de fluxo contínuo. Com o projeto METAS, já citado por Denardin, surgiu a SHM (Fig. 22), uma multissemeadora, voltada ao pequeno produtor que não podia comprar duas máquinas para semear sementes graúdas e miúdas. Essa máquina iniciou com 11 linhas espaçadas de 17 cm, foi ampliada para 17 e hoje com o modelo SSM possui até 27 linhas (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

Jair Bottega gerente de exportação da VENCE TUDO relatou que a partir de 2000 a fábrica estruturou um departamento próprio para a exportação. Iniciou na Colômbia em 2001, pois o Uruguai e Paraguai eram tratados como se fossem estados brasileiros nas relações comerciais. As demandas de exportação vinham principalmente das grandes Feiras: EXPOINTER, AGRISHOW e SHOW RURAL. Participaram da EXPOCHACO na Argentina, principalmente para exportação da plataforma de colheita de milho e do classificador de sementes e, por intermédio da ABIMAQ conheceram a  INTRAC TRADING que além de ser porta de entrada na África são difusores natos e entusiastas do SPD. Foram ao México, Estados Unidos e principalmente por intermédio da FAO os produtos têm sido divulgados na América Latina, Ásia e África. São 20 países nesse trabalho de 6 anos de estruturação do departamento de exportação. Na Europa estavam entrando por Portugal.

A partir de 1998 o Cerrado brasileiro iniciou grande expansão e a VENCE TUDO começou a participar com a semeadora de precisão Premium, com 8 a 18 linhas para semear soja. Essas são também acopladas em tandem, chegando a trabalhar com 26 a 28 linhas de uma só vez. Consegue-se semear em um dia até 200 hectares. Contava Ildemar, diretor comercial, que o SPD ajudou a ampliação da agricultura no Cerrado e pelo fato das culturas de inverno não se desenvolverem adequadamente, estão utilizando a brachiaria e o milheto para a formação de palha. Comenta que ainda a quantidade de palha é pequena no Brasil Central, considerando que é um sistema semi-direto na sua definição.

Marcos Lauxen, diretor presidente da VENCE TUDO afirma que a medida que a empresa foi ampliando seu mercado, foram surgindo novas necessidades. Em 1996 lançaram de forma pioneira os depósitos de polietileno e se orgulha hoje pelo fato da fábrica possuir máquinas apropriadas às pequenas, médias e grandes propriedades. Ildemar cita que a VENCE TUDO é líder em máquinas apropriadas para o continente africano e a empresa que mais fabrica semeadoras SPD para a agricultura familiar no Brasil, chegando a vender 1200 por ano. A fábrica ouve muito o cliente e tem isso como foco principal. Os proprietários da fábrica também são produtores rurais. Preocupam-se com a assistência técnica, reposição de peças e estruturação do departamento de vendas. Dão muita atenção aos trabalhos de pesquisa em Instituições, em especial aos desenvolvidos pelo IAPAR.

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Passaram a desenvolver máquinas com sistema de paralelogramo, apesar de acharem que as pivotadas trabalham bem. Surgiu a Panther (Fig. 23) da SM e o sucesso foi tão grande que de 7 linhas já está com 13. Ainda oferecem o sistema pula pedra e o dosador de fertilizante com rosetas auto-limpante, de custo barato e boa eficiência, mas foi introduzido também, o sistema rosca sem-fim que está sendo aperfeiçoado constantemente, como é o caso do sistema FERTISYSTEM. Na dosagem de sementes estão trabalhando com fornecedores fortes, como a SOCIDISCO que apresenta novidades no dosador de sementes, eliminando as folgas do disco de distribuição que provocavam desgaste no anel de encosto. Quanto ao sistema de acabamento de semeadura, permanecem oferecendo os discos aterradores, que está muito bem difundido entre pequenos e médios produtores, mas outros maiores, principalmente por não conhecerem o sistema rejeitam este dispositivo. Assim, como fica muito caro fazer demonstrações localizadas, a fábrica optou a oferecer o que eles solicitam (CASÃO JUNIOR et al, 2008).

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Figura 22 – Semeadora SHM da SEMEATO.

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Figura 23 – Semeadora Panther da VENCE TUDO.

 

Continua…!

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Doutor em Eng. Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas. Foi pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), consultor em projetos do IAPAR e outras empresas. Trabalhou como pesquisador em fitotecnia, como coordenador de fazenda experimental e 22 anos como pesquisador em máquinas agrícolas. Foi diretor técnico e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio, consultor da FAO em países da África e Ásia.

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