Como escolher sua semeadora de plantio direto – parte 4

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Continuando com nosso artigo, agora vamos à Parte IV sobre Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto. Para quem não conseguiu ler a Parte III é só clicar aqui >>> Como Escolher Sua Semeadora de Plantio Direto – Parte 3 (lá você vai poder encontrar, também, o link para à Parte II e assim por diante).

Um frequente problema das semeadoras de precisão é o de chamado “embuchamento”. As máquinas evoluíram muito para a solução deste problema. Todo o componente que de certa forma vinha a obstruir a passagem da palha por entre as linhas da máquina aumentava os pontos de embuchamento. Hoje muitas máquinas possuem estrutura alta, elevando sua frente de ataque, rompedores em zigue zague e distância entre componentes que evitem o acúmulo de palha e solo. Com o aumento do peso das máquinas este problema voltou a se agravar, fazendo com que algumas semeadoras tenham que esperar mais tempo para a palha secar e mesmo exigir um manejo mecânico e/ou químico adicional da cobertura (CASÃO JUNIOR & SIQUEIRA, 2006).

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Nas áreas terraceadas é comum as máquinas cruzarem, mesmo na diagonal ou semearem sobre os terraços de base larga. Assim, muitas semeadoras não possuem a articulação necessária para que todos os componentes estejam em contato com o solo. Normalmente as máquinas de maior comprimento longitudinal, ao cruzar terraços, fazem com que seus componentes flutuem sobre o terreno, sendo que as compactas apresentam menos problemas, sem considerar, também, que existe um tamanho máximo para acomodar uma semeadora sobre um caminhão de transporte, tão importante para levá-la de uma propriedade a outra. Na figura 13 são apresentados alguns dos modelos de vários diferentes fabricantes existentes na atualidade com características adequadas para o trabalho com grande quantidade de palha e cruzamento de terraços. A figura 13a, mostra um modelo com unidades de semeadura (linhas) pivotadas; a 13b, linhas pantográficas e a 13c com linhas pivotadas e atuação da pressão sobre as linhas por meio de cabo de aço.

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Figura 13a – Plantcenter

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Figura 13b – John Deere.

kulzer

Figura 13c – Kulzer & Kliemann.

Origem  e expansão do plantio direto à tração animal

O interesse da pesquisa agropecuária do Paraná pela questão da mecanização das pequenas propriedades surgiu no início da década de 80, no contexto de um esforço geral pela busca de temas e formulação de objetivos a partir do conhecimento da realidade rural e de seus aspectos sócio econômicos e tecnológicos

A energia animal, em particular, apresentava destacada importância tecnológica pelo elevado número de estabelecimentos usuários (cerca de 80% em 1980) e de beneficiários potenciais (SHIKI et al., 1989). Caracterizavam por se encontrarem em condições adversas quanto ao recurso natural, sobretudo quanto ao solo e topografia, além das condições estruturais dos estabelecimentos (força de trabalho familiar, baixa capitalização e pequena área explorada).

Em 1984 o governo do Paraná implantou um programa para incrementar o uso da tração animal, segundo as realidades sócio econômicas regionais, visando a viabilização da pequena propriedade rural através da racionalização da mão de obra (SECRETARIA DA AGRICULTURA DO ESTADO DO PARANÁ, 1984). Este programa de estado foi o gérmen da criação da semeadora adubadora de plantio direto a tração animal “Gralha azul”.

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Edmundo Hadlisch (Figura 14a) comandava na EMATER PR uma equipe de 25 técnicos distribuídos pelo estado, que a anos trabalhavam com treinamentos em mecanização agrícola. No IAPAR a área de Engenharia Agrícola estava recém formada e, em mecanização, participavam Ruy  Seiji Yamaoka, Rubens Siqueira e Ruy Casão Junior. Os trabalhos com os reprodutores de animais de tração eram conduzidos pelo veterinário Inácio Afonso Kroetz.

A equipe de mecanização foi reforçada com a contratação dos engenheiros agrícolas Augusto Guilherme de Araújo e Paulo Roberto Abreu de Figueiredo, locados em Ponta Grossa e Pato Branco respectivamente. Maria de Fátima dos Santos Ribeiro, contratada em 1986 demandou, também, máquinas para viabilizar os pequenos agricultores do Arenito Caiuá.

A partir de 1985 foram estudados quase todos os equipamentos de tração animal existentes no mercado e realizado trabalhos de pesquisa de manejo do solo com coberturas vegetais em várias regiões do Paraná. Com esse compromisso foi desenvolvido, entre vários equipamentos, a semeadora de plantio direto a tração animal logo em 1985 e aperfeiçoada nos anos seguintes.  O desafio era fazer com que uma máquina de 70 kg fizesse o plantio direto, considerando que para o disco de corte trabalhar eficientemente necessitava de 60 kg de esforço vertical sobre o mesmo, conseguindo-se isso posicionando o ponto de engate mais elevado e uma haste sulcadora adequada (Fig. 14b).

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Figura 14a – Edmundo Hadlisch da EMATER PR com exemplar misto de Bretão do programa tração animal.

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Figura 14b – Desenho esquemático da semeadora adubadora de plantio direto Gralha azul IAPAR.

 

Na época havia muitas iniciativas e esforço em todo o país para o desenvolvimento dos pequenos produtores, assim como as preocupações conservacionistas. Delagiustina (1990) apresentou na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sua dissertação de Mestrado sobre o desenvolvimento de semeadora de plantio direto que deve ter dado continuidade com a indústria IADEL de Dona Emma. Existem muitos registros na obra “Tecnologia apropriada em ferramentas implementos e máquinas agrícolas para pequenas propriedades” escrito para o XXVI Congresso de Engenharia Agrícola de Campina Grande-PE em 1997 (TOMIYOSHI & SILVA, 1997).

A adoção, no entanto, ocorreu somente na década de 90 com os esforços da equipe do IAPAR de Ponta Grossa comandada por Bady Curi que coordenava o Polo Regional. Como se contava com a presença em Ponta Grossa do Augusto Guilherme de Araújo e da Maria de Fátima dos Santos Ribeiro, ambos da área de engenharia agrícola era possível dar sequência a este trabalho. Foram selecionadas algumas propriedades que já estavam sendo trabalhadas e elaborou-se um novo projeto.

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Dacio Antônio Benassi, técnico do IAPAR, lembra que o primeiro protótipo da semeadora trabalhou em Rio Azul em 1985, permanecendo por dois anos. Depois de vários esforços, trabalhando intensivamente, principalmente em Unidades de Teste e Validação (UTVs), foram selecionados 32 produtores e, pedido apoio ao Nonô Pereira na FEBRAPDP, que se prontificou a solicitar recursos das empresas. A indústria MH foi paga pela construção do primeiro lote e as máquinas foram distribuídas nos produtores. Os resultados foram monitorados e realizados muitos Dias de Campo e demonstrações. Foi a partir daí que conseguiu-se algumas coisas, principalmente a execução do I Encontro Latino Americano de Plantio Direto para a Pequena Propriedade em 1993 (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ, 1993).

Os técnicos da extensão implantaram e conduziram as UTVs e, eram feitas de 2 a 3 visitas por ano, analisando os dados e apresentando em um workshop junto aos produtores. Destaca que as indústrias participavam dos eventos desde os primeiros trabalhos.      Dacio lembra “A medida que as pequenas indústrias iam fabricando, alterando e adaptando, nós acompanhávamos e instituímos um selo de qualidade do IAPAR”. Conta que a troca de experiências foi rica e levantaram-se parâmetros para melhorar as máquinas. Um ponto importante é que durante a discussão não havia diferença entre pesquisador, técnico agrícola, extensionista e produtor. Todos opinavam no mesmo nível. As figuras 15a e 15b mostram Dacio Benassi demonstrando uma semeadora de plantio direto à tração animal da IADEL e apresentando outra da KNAPIK.

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Figura 15a – Semeadora de plantio direto IADEL à tração animal.

 

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Figura 15b – Semeadora de plantio direto KNAPIK à tração animal

A EMATER trazia os produtores, apoiados pelas prefeituras e praticamente sem custo para o IAPAR. Os agricultores ficavam abobados com os novos equipamentos e com a tecnologia de plantio direto e a adoção foi surpreendente. A figura 16 mostra a evolução do SPD na pequena propriedade com tração animal no estado do Paraná de 1994 a 2000.

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Figura 16 – Evolução do sistema plantio direto a tração animal no Paraná. Fonte: FEBRAPDP, 2007.

Vários foram os fabricantes que participaram da evolução do SPD na pequena propriedade na década de 90 e estabilização na primeira década dos anos 2000. As primeiras a surgirem foram a MAFRENSE, MH, TRITON, RIC, IADEL, BUFALLO, PICETTI, WERNER e depois a FITARELLI e a KNAPIK. A KRUPP, tradicional fabricante de matracas passou também a adapta-las para o SPD. Esses equipamentos foram difundidos e ainda hoje estão sendo adotados na África, América Latina e países da Ásia.

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Pode-se concluir que com essa adoção, pequenos produtores principalmente dos estados do Sul do Brasil, conseguiram aumentar a rentabilidade do trabalho, diversificar as culturas, controlar a erosão e agregar valor em sua propriedade por maximizar a produção animal, possibilitando uma transição segura para a moto-mecanização já em grande expansão nesse segmento.

Na próxima postagem, volto com as novidades atuais das máquinas e farei um resumo das mais importantes recomendações para se escolher uma máquina para a realidade produtor!

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO. 

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Doutor em Eng. Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas. Foi pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), consultor em projetos do IAPAR e outras empresas. Trabalhou como pesquisador em fitotecnia, como coordenador de fazenda experimental e 22 anos como pesquisador em máquinas agrícolas. Foi diretor técnico e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio, consultor da FAO em países da África e Ásia.

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