Sistema plantio direto, duas coisas que você está fazendo de errado

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O sistema plantio direto (SPD) tem se destacado como uma das principais técnicas para proporcionar ganhos na produtividade das culturas e ao mesmo tempo resultar na conservação do solo. Iniciado na década de 1970, o SPD começou no sul do Brasil e se estendeu por todo território nacional, atingindo atualmente mais de 30 milhões de hectares sob uso da prática. No entanto, apesar de grande parte da comunidade agrícola possuir conhecimento sobre o sistema, poucos o utilizam da maneira apropriada. Não somente na produção agrícola, mas também na pesquisa científica, muitas áreas manejadas sem seguir os princípios da técnica têm sido denominadas SPD. Consequentemente, resultados contrastantes têm sido obtidos devido à grande variação na qualidade dos sistemas adotados.

No artigo “Por que as pesquisas em plantio direto devem ser padronizadas”, nós explicamos e discutimos bem essa questão. A seguir, veremos alguns dos principais erros cometidos em áreas sob “sistema plantio direto”:

Revolvimentos ocasionais do solo

Produtores rurais que realizam revolvimentos ocasionais do solo são mais comuns do que imaginamos. De acordo com a pesquisa realizada por Pessôa (2015) referentes ao Rally da Safra de 2015, revelou que mais de 90% dos produtores rurais entrevistados afirmavam fazer uso do SPD. Entretanto, na pesquisa realizada no ano de 2010, apenas 32% dos produtores rurais entrevistados afirmaram nunca terem revolvido o solo (Brüggemann, 2011). Dessa forma, o princípio básico do sistema de revolvimento mínimo do solo apenas restrito a linha de semeadura parece não fazer parte da maior parte das áreas de SPD no Brasil.

Revolvimentos ocasionais do solo, muitas vezes feito sem motivo, acabam por degradar a estrutura do solo e reduzir os estoques de matéria orgânica. Um solo com constantes revolvimentos ocasionais nunca atingirá seu potencial máximo produtivo. É como se quiséssemos fazer uma fogueira para um churrasco e de cinco em cinco minutos jogássemos um pequeno copo d’água nela. Não chegaremos a apagá-la, porém ela também nunca atingirá seu potencial.

Monocultura

A utilização de monocultivo de determinada cultura, principalmente a soja, tem sido muito comum em diversas regiões do Brasil. O plantio em função do preço de venda tem predominado não somente na agricultura Brasileira, mas no mundo todo. O pensamento unidirecional, focado 100% no lucro a curto prazo tem trazido diversos problemas para o produtor rural. Grande parte dos problemas enfrentados com resistências de pragas e doenças à pesticidas é devido à utilização da monocultura. Ao se aplicar sempre o mesmo produto para controlar uma praga, os indivíduos resistentes ao pesticida sobrevivem e se multiplicam. Depois de alguns anos a população de indivíduos resistentes ao agrotóxico cresce a ponto de trazer prejuízos econômicos ao produtor.

No artigo Entomologia no plantio direto: o que todo engenheiro agrônomo deve saber”, mencionamos que a rotação de culturas consiste em uma das principais técnicas para o controle de insetos praga, e que a utilização de demais controles culturais ajuda a evitar problemas de resistência.

Como conduzir um sistema plantio direto de qualidade?

Conduzir uma área de plantio direto de qualidade requer dedicação e consciência do produtor. No artigo “Sustentabilidade alimentar: saiba como praticar” enfatizamos que a utilização de práticas que permitam a produção sustentável de alimentos é o que garantirá um mundo melhor para as futuras gerações. A ansiedade de ver ganhos econômicos a curto prazo tem levado muitos agricultores a tomar medidas que levam a degradação das suas áreas agrícolas com o passar do tempo.

O conhecimento sobre como as técnicas do SPD conduzem a maior produtividade, dessa forma, é essencial para desenvolvermos uma agricultura de qualidade. E você, sabe mais exemplos de erros cometidos no plantio direto? Compartilhe suas experiências conosco.

Referências

Brüggemann, G., 2011. Estado da Arte e divulgação do plantio direto no Brasil. Revista Plantio Direto.

Pessôa, A.S.M., 2015. O estado da arte do plantio direto em 2015 (Rally da Safra). Relatórios Fundação Agrisus PA1434, 58, 2015.

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Eng. Agrônomo e Mestre em Agricultura (Uso e Manejo do Solo) pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Trabalha na área de matéria orgânica do solo com enfoque em plantio direto e sequestro de Carbono.

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