Temos mais espaço para aumento nos preços da soja?

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SOJA: TEMOS ESPAÇO PARA MAIS AUMENTOS NOS PREÇOS?

Em 30/06/2016 houve divulgação do mais recente relatório de estoques trimestrais e estimativas de plantio pelo Dpto. de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Após a data os mercados praticamente apresentaram um forte guinada na tendência, com grande destaque para a queda nas cotações da soja na bolsa de Chicago após o feriado de 4 de julho nos EUA.

Esse movimento já vinha sendo previsto por muitos analistas e operadores de mercado, visto que a soja carecia de novos fundamentos altistas e que as previsões climáticas pessimistas haviam perdido fôlego. Vimos os preços do contrato futuro de soja com vencimento em novembro caírem de mais de $ 11,50 para menos de $ 10,50 por bushel em menos de uma semana, uma queda de aproximadamente 10%.

Após todos esses alvoroços nos mercados, muitos especialistas já deram como certo que as melhores cotações haviam ficado para trás, porém muitos esquecem que estamos em um momento muito volátil que é o mercado climático. Cada virada de semana surge com novas previsões climáticas, novas possibilidades e muitas mudanças para os preços na Bolsa de Chicago. Se num primeiro momento tivemos o rally de alta nos preços da soja por preocupações com o clima, da mesma forma tivemos uma queda forte por conta do enfraquecimento dessas preocupações climáticas.

Fato é que precisamos no ater aos números a partir de agora. Uma variação negativa modesta na produtividade média esperada nos EUA pelo USDA pode tranquilamente levar os preços da soja aos patamares anteriores senão até mais. De acordo com alguns modelos de precificação, uma variação de apenas 1 bushel por acre a menos que o esperado poderia desencadear movimentos de alta para até a casa dos $ 12,00 por bushel.

As medições atuais das condições das lavouras nos EUA são muito boas, estão em níveis recordes. No último relatório de acompanhamento semanal da safra dos EUA, as lavouras em condições boas e excelentes até o dia 10 de julho contavam com 71% do total. Com exceção de 2014, nos últimos anos a qualidade das lavouras sempre foi inferior nessa época do ano, ou seja, estatisticamente vemos que existe pouco espaço para as condições da safra norte-americana melhorar além dos níveis atuais.

Lavouras de soja nos eua - Blog AgroproA produtividade média esperada em condições das lavouras como as atuais circulam em torno de 48 bushels por acre, o que levaria a produção total dos EUA acima de 3,9 bi de bushels, podendo inclusive superar a atual projeção do USDA que está em 105,6 milhões de toneladas. O USDA está estimando a produtividade média de soja nos EUA em 46,7 bushels por acre, porém nos últimos dois anos tivemos produtividades de 47,5 e 48 bushels por acre respectivamente em 2014 e 2015 com condições de lavouras muito semelhantes às atuais.

Como a demanda pela soja está em alta, com a China comprando fortemente este ano, cerca de 15% a mais se comparado com ano-calendário anterior, o foco no momento está totalmente concentrado no lado da oferta, ainda mais após as recentes quebras na produção brasileira e principalmente na produção argentina.

Portanto, se por um lado vemos ainda a possibilidade de revisões para cima na safra norte-americana os preços consequentemente podem apresentar variações negativas e isso vai depender fortemente do clima, que é o que estamos vivenciando nesse momento. Qualquer dano mais forte que houver sobre a safra norte-americana pode desencadear novos movimentos altistas nos preços, devido a esse quadro apertado entre oferta e demanda. Além disso, em breve teremos mais um fator impactando diretamente nos preços, que é a safra sul-americana. As mudanças nas condições climáticas durante eventos do La Niña podem adicionar ainda mais volatilidade ao mercado.

Como consideração final, deixo claro que não podemos nos agarrar a esperanças de que o clima impactará negativamente a produção nos EUA ou que teremos dificuldades climáticas no Brasil e na Argentina nessa safra. Isso tudo ainda é muito incerto.

É muito importante observar que a volatilidade nos preços está extremamente alta, tanto para cima, quanto para baixo; e devido às boas condições atuais da safra norte-americana, torna-se imprescindível buscar garantir alguma margem de rentabilidade nesse momento, ao menos em boa parte da produção, sempre que ela surgir. Se o mercado estiver apresentando preços de $ 10,75 ou $ 11,00 e determinados valores foram suficientes para garantir algum lucro o ideal é garantir isso e não ficar esperando pelos $ 12,00. Caso o clima favoreça as lavouras nos EUA, especuladores não tardarão em inverter suas posições e apostar na queda. Como comentei até aqui, somente fatores até então desconhecidos poderão levar os preços novamente para cima e entre eles vejo como crucial justamente a safra dos EUA.

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Atua no mercado financeiro agropecuário desde 2007 como Operador de Commodities em corretoras nacionais e multinacionais. É profissional certificado pela ANCOR (Associação Nacional das Corretoras), pelo PQO (Programa de Qualificação Operacional) da BM&FBovespa e devidamente autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para atuar no mercado financeiro. Hoje, Sócio-proprietário da Priore Investimentos, presta serviços de consultoria financeira, operações de hedge no mercado de commodities agrícolas e câmbio. Saiba mais em: www.prioreinvestimentos.com.br

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