Uso de robôs na Horticultura

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Mesmo sendo uma prática de alto custo, o uso de robôs na horticultura, além de aumentar a eficiência, supre a carência de mão de obra no setor. São óbvias as razões pelas quais a horticultura não é uma área atrativa para os trabalhadores. São raras as pessoas que gostariam de trabalhar diariamente movendo potes de plantas de um lado para o outro – que podem pesar mais que 10 quilos e ainda, durante toda jornada de trabalho em ambiente de estufa, com temperatura alta e humidade elevada.

Os Estados Unidos, Canadá, e países da Europa, têm programas para recrutar mão de obra sazonal para essa indústria. No mês de setembro a Austrália anunciou que a horticultura do país poderia empregar os mais de 12.000 refugiados sírios que chegavam ao país. No Brasil, pude verificar que não é muito diferente, pois no mês de julho deste ano, durante a realização da maior Convenção de Horticultura da América do Norte, perguntei aos representantes das empresas brasileiras que estavam presentes, como era a questão laboral no Brasil. Bem me lembro das palavras do empresário/cultivador de uma das maiores produtoras de mudas, situada no estado de São Paulo, “É uma situação muito complicada, ninguém quer trabalhar em estufa, tentamos programas de imigração como vocês, trabalando com Bolivanos, Colombianos e até Haitianos, agora estamos com o pessoal do regime semi-aberto”.

Da necessidade de se optimizar a eficiência no cultivo veio o investimento em tecnologia. Depois de três anos e meio de pesquisa os robôs do projeto European FP7 Clever robôts for Crops, foram colocados em operação na Holanda(imagem 1). Os robôs construídos em uma plataforma pneumática, se movimentam facilmente entre os pimentões. Sensores e uma câmera 3d são instalados nas mãos dos robôs que localizam os frutos maduros e identificam o formato e cores, realizando a colheita e separação dos frutos. Semana passada, no dia 3 de dezembro, a Panasonic anunciou o deselvolvimento de um robô também para a colheita de tomate, que coleta os frutos pelo caule, evitando ferimentos na superfície externa.

Pepper Harvest

Aqui em Ohio, na empresa em que realizo meu trabalho, o investimento em seis robôs HV-100, estão garantindo excelentes resultados nos espaçamentos das plantas, que é realizado visando evitar o estiolamento e mantendo a arquitetura desejada para ornamentais, sendo que a atividade era realizada 100% manualmente. Foram investidos mais de 25 mil dólares em cada robô (imagem 2) e o investimento, foi pago no próprio ano da aquisição.Imagem 1. Colheita automatizada de pimentão

Fáceis de operar e autônomos na realização dos trabalhos – Larry, Moe, Curly e Joe, como foram apelidados parte do grupo – realizaram suas funções com tanta maestria que proporcionaram aumentos em 15% o número de plantas por hectare, devido a destresa e precisão no espaçamento.

HV-100

Além de auxiliar na parte laboral e colheita, a tecnologia também está auxiliando na tomada de decisões técnicas como irrigação, uso de fertilizantes, injeção de CO2 e luzes artificiais. Recentemente, pesquisadores da Universidade da Califórnia desenvolveram um sensor (imagem 3) que é capaz de quantificar o nível de stress em que a planta se encontra ao relatar temperatura foliar, incidência de radiação, umidade relativa, velocidade do vento, e temperatura do ar. As informações são enviadas em tempo real, para o computador ou celular do cultivador.


Sensor

Importante ainda mencionar que na Universidade de Madri na Espanha, um projeto com a utilização de Drones para monitorar o desempenho de culturas em estufa, teve seu lançamento no último mês de setembro. Os Drones são equipados com sensores que criam mapas de temperatura, humidade, luz, e concentração de Dioxido de Carbono nas estufas gerando dados para o sistema que regula as condições climáticas no cultivo fechado maximizando assim, as condições ambientais favorecendo o aumento na produtividade.

Confira abaixo o HV-100 em ação.

 

* Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento da AGROPRO.

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Sobre o Autor

Engenheiro Agrônomo e Mestre em Agricultura pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Mestrado em Manejo Fitossanitário pela Ohio State University. Atua como Plant Health Manager na Green Circle Growers, Ohio. Responsável pelo manejo de pragas, doenças, nutrição mineral, pesquisa e desenvolvimento, e sanidade vegetal de 45 hectares de cultivo em estufa de plantas ornamentais. Recentemente eleito Jovem Cultivador do Ano pela GrowersTalks Magazine.

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